Obama elogia o compromisso do exército egípcio com os civis

O presidente Barack Obama elogiou neste sábado o compromisso do exército egípcio de transferir o poder a civis, informou a Casa Branca. "O presidente (Obama) pediu hoje a vários dirigentes estrangeiros para continuar com as consultas com seus colegas sobre a questão dos últimos acontecimentos no Egito", indica o comunicado, que precisa que o presidente americano falou com o primeiro-ministro britânico David Cameron, com o rei Abddullah da Jordânia e com o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan.

"Obama saudou a mudança histórica realizada pelos egípcios e reafirmou sua admiração por seus esforços. Igualmente saudou o anúncio realizado hoje pelo Conselho Supremo das forças armadas prometendo uma transição democrática aos civis e o respeito às obrigações internacionais do Egito", acrescenta o comunicado.

Na véspera, após o anúncio da renúncia do presidente Hosni Mubarak, Obama afirmou que o povo egípcio manifestou-se e não aceitará nada menos que uma "democracia genuína", e pediu para os militares garantirem a credibilidade da transição política. "O povo do Egito manifestou-se; sua voz foi ouvida e o Egito nunca mais será o mesmo", disse Obama em sua primeira declaração pública sobre a renúncia do presidente Hosni Mubarak após duas semanas de protestos.

"Renunciando, o presidente Mubarak respondeu à fome do povo egípcio por mudanças", disse Obama. "Os egípcios deixaram claro que somente uma democracia genuína pode prevalecer", afirmou, pedindo para os militares responsabilidade para preservar o Estado.

Neste sábado, as poderosas Forças Armadas do Egito prometeram uma transição pacífica para um governo civil eleito e o respeito de todos os tratados internacionais. Em um comunicado lido na televisão estatal, o Conselho Supremo das Forças Armadas afirma o compromisso com uma "transição pacífica do poder", que "prepare o caminho para que uma autoridade civil eleita construa um Estado democrático".

O governo egípcio permanecerá no poder provisoriamente para administrar os assuntos correntes, segundo os militares, que assumiram o controle do país depois da queda do regime de Mubarak.

Após 18 dias de protestos, Mubarak renuncia

Começou no dia 25 de janeiro - uma data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, com o uso da hashtag #Jan25 no Twitter. Naquela terça-feira, os egípcios começaram uma jornada que durou 18 dias e derrubou o presidente Hosni Mubarak. Naquele momento, o líder que estava no poder há 30 anos ainda tinha poderes. No dia 28, ele cortou o acesso à internet e declarou toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não iria renunciar. Em pronunciamento, disse apenas que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população.

No dia 29, uma nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. A repressão continuou, e Mubarak colocou a polícia antimotins nas ruas novamente. Nada adiantava. A população aderia em número cada vez maior às manifestações, e a oposição começava a se movimentar. A nova cartada do líder de 82 anos foi anunciar que não participaria das próximas eleições. Mais uma vez sem sucesso. No dia 2 de fevereiro, manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Depois, houve perseguição a jornalistas.

Os dias subsequentes foram de diálogo e protestos pacíficos. No 17º dia de protestos, centenas de milhares receberam no centro do Cairo a notícia de que o líder poderia, finalmente, renunciar. O esperado pronunciamento se transformou em um balde de água fria quando Mubarak disse que não renunciaria, apesar de passar alguns poderes ao vice, Omar Suleiman. A fúria tomou conta da praça Tahrir, e ninguém levantou acampamento. Por fim, no final da tarde da sexta-feira, dia 11 de fevereiro, Suleiman, em um rápido pronunciamento na TV estatal, informou que Mubarak renunciava, abrindo um novo capítulo na história do Egito.