Presidente do Egito anuncia sua renúncia

Marechal de 79 anos comandará a transição; Obama diz que país nunca mais será o mesmo

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, renunciou ao cargo após 18 dias de protesto da população. Centenas de milhares de manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, viveram uma explosão de alegria com o anúncio da renúncia do presidente egípcio, após 30 anos no poder.

Mais cedo, a ida do presidente  para o balneário de Sharm el-Sheikh já era considerada "um primeiro passo positivo", segundo um alto funcionário dos Estados Unidos que pediu para não ser identificado.

Também hoje, um porta-voz o partido no poder anunciou que Mubarak e sua família viajaram para o balneário Sharm el-Sheikh. "Ele está em Sharm el-Sheikh", afirmou o porta-voz do Partido Nacional Democrático, Mohammed Abdellah.

Protestos convulsionam o Egito

Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Nos dias subsequentes os conflitos cessaram e, após um período de terror para os jornalistas, uma manifestação que reuniu milhares na praça Tahrir e impasses entre o governo e oposição, a Irmandade Muçulmana começou a dialogar com o governo.

Em meio aos protestos do dia 10 de fevereiro - o 17º seguido desde o início das manifestações -, Mubarak anunciou que faria um pronunciamento à nação. Centenas de milhares rumaram à Praça Tahrir, enquanto corriam boatos de que o presidente poderia anunciar a renúncia ao cargo. À noite e com atraso de mais de uma hora, a TV estatal egípcia transmitiu a frustração: Mubarak anunciava, sem clareza alguma, que 'passava alguns poderes' para seu vice, Omar Suleiman, mas que permanecia no cargo, para a ira de Tahrir.

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Marechal de 79 anos comandará a transição no país

O marechal Mohamed Hussein Tantaui, ministro da Defesa do Egito e comandante do Exército, é um pilar do aparelho militar e da política egípcia, com reputação de arredio a mudanças.

Aos 75 anos, dirige há vinte as forças armadas egípcias. Também chefia o Conselho Supremo das Forças Armadas, uma comissão de comandantes militares, ao qual o presidente Hosni Mubarak passou o controle do país, ao se demitir.

O marechal Tantaui, oficial do exército, participou dos conflitos de 1956 (canal de Suez), 1967 (guerra dos Seis Dias) e 1973 (guerra do Yom Kippur).

Um telegrama diplomático americano revelado por WikiLeaks, remontando a 2008, traz um pouco de luz sobre a figura deste homem, tão discreto quanto a instituição que dirige.

O documento o descreve como "encantador e cortês", mas "velho e resistente às mudanças".

"Simplesmente, não tem a energia, a inclinação ou a visão do mundo para fazer as coisas de forma diferente", acrescenta o texto.

O exército que dirige recebe ajuda dos Estados Unidos desde os acordos de paz com Israel, em 1979. Washington repassa, atualmente, verba de 1,3 bilhão de dólares de assistência anual.

Nesta sexta-feira, o ministro, reconhecido pelos manifestantes quando passava de carro perto do palácio presidencial no Cairo, saudou a multidão que celebrava a renúncia do presidente Mubarak.

Obama: Egito nunca mais será o mesmo

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, em pronunciamento em Washington, que o Egito nunca mais será o mesmo, após a mobilização popular que culminou com a renúncia de hosni Mubarak. "O egito nunca mais vai ser o mesmo", disse ele, acrescentando que o povo foi ouvido e que "dias difíceis virão pela frente".

Obama, cuja posição em relação a Mubarak nunca havia ficado clara desde o início dos protestos, afirmou que o ex-presidente do Egito foi forçado a responder uma "fome de mudança". "Este é o poder da dignidade humana", disse o líder americano, pouco mais de quatro horas depois da renúncia de Mubarak, que permaneceu 30 anos na presidência do país árabe.

Renúncia

Após 30 anos no poder, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, renunciou ao cargo nesta sexta-feira, depois de 18 dias consecutivos de protestos em todo país pedindo sua saída. O anúncio foi feito pelo vice-presidente, Omar Suleiman, em rápido pronunciamento dna TV estatal. Os poderes presidenciais vão ser assumidos pelo Conselho das Forças Armadas.

Assim que terminou o pronunciamento do vice-presidente, centenas de milhares de manifestantes agitando bandeiras, gritando, rindo e se abraçando celebraram o anúncio. "O povo derrubou o regime", gritava a multidão na praça Tahrir, no centro do Cairo. Lágrimas, gritos e danças tomaram conta do local que se tornou símbolo dos protestos.

Egípcios saem às ruas, derrubam Mubarak e fazem história

Desde o último dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet, principalmente pelo uso da hashtag #Jan25 no Twitter -, os egípcios protestam pela saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28 as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram. O presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milhares de pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

O dia seguinte, 2 de fevereiro, no entanto, foi novamente de caos. Manifestantes pró e contra Mubarak travaram uma batalha campal na praça Tahrir com pedras, paus, facas e barras de ferro. Nos dias subsequentes os conflitos cessaram e, após um período de terror para os jornalistas, uma manifestação que reuniu milhares na praça Tahrir e impasses entre o governo e oposição, a Irmandade Muçulmana começou a dialogar com o governo.

Em meio aos protestos do dia 10 de fevereiro - o 17º seguido desde o início das manifestações -, Mubarak anunciou que faria um pronunciamento à nação. Centenas de milhares rumaram à Praça Tahrir, enquanto corriam boatos de que o presidente poderia anunciar a renúncia ao cargo. À noite e com atraso de mais de uma hora, a TV estatal egípcia transmitiu a frustração: Mubarak anunciava, sem clareza alguma, que 'passava alguns poderes' para seu vice, Omar Suleiman, mas que permanecia no cargo, para a ira de Tahrir.

Após o momento de incredulidade na quinta, os egípcios mantiveram a força dos protestos na sexta-feira. Insatisfeitos, milhares de manifestantes pernoitaram na Praça Tahrir, mantendo a pressão sobre o governo. No final da tarde, o vice-presidente Omar Suleiman, num pronunciamento de 30 segundos na TV estatal, anunciou que Hosni Mubarak renunciava ao poder, encerrava seu governo de quase 30 anos e abria espaço definitivamente para a transição no Egito.

Com AFP