Oposição egípcia prepara novas manifestações na ''sexta-feira da saída de Mubarak''

CAIRO - Novas manifestações estão previstas para esta sexta-feira no Cairo, convocadas pela oposição ao regime, que espera transformar a jornada no 'dia da saída' do presidente Hosni Mubarak, após mais de 10 dias de protestos e de uma violência extrema, sem precedentes no país.

Os organizadores esperam mobilizar, mais uma vez, um milhão de pessoas, após prece semanal muçulmana, no início da tarde.

Segundo a jornalisa Christiane Amanpour, do canal de televisão americano ABC, o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, com quem conversou durante uma entrevista com Mubarak no Cairo, disse que o Exército "nunca" usaria a força contra a população.

Depois de ter rejeitado o pedido de diálogo do regime, considerado "ilegítimo", a Irmandade Muçulmana, proscrita pelo governo, afirmou que as solicitações de conversações não vão influenciar as grandes manifestações programadas para esta sexta-feira para derrubar o regime.

A oposição, também integrada por partidos laicos e movimentos surgidos da sociedade civil, como a Coalizão Nacional para a Mudança, formada ao redor do Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, fez da saída imediata de Mubarak uma condição para negociar com o regime.

O vice-presidente Suleiman declarou que a exigência equivale a um "chamado ao caos" e pediu aos manifestantes que abandonem a Praça Tahrir, epicentro dos protestos no Cairo.

Mubarak afirmou que está "cansado de ser presidente" e que gostaria de deixar o poder agora, mas que não podia tomar tal decisão pelo "temor de que o país afunde no caos". 

 

Senado americano aprova resolução que pede governo interino no Egito

O Senado americano aprovou na noite de quinta-feira, por unanimidade, uma resolução que pede ao presidente Hosni Mubarak a formação de um governo interino no Egito, mas sem pedir sua renúncia.

No texto, os senadores americanos pedem ao presidente egípcio de 82 anos o início imediato de uma "transição ordenada e pacífica para um sistema político democrático" por meio da transferência de poderes a um governo interino "em consulta com os líderes da oposição, da sociedade civil e do Exército egípcio".

Este governo, segundo a resolução, ficaria responsável por "fazer as reformas necessárias para celebrar este ano eleições livres, justas e confiáveis aos olhos do mundo".

Um dos autores do texto, o senador democrata John Kerry, declarou antes da votação que a resolução não vinculante era deliberadamente vaga sobre o papel de Mubarak no futuro gabinete. "Ele poderia ser parte ou não. Tudo depende do que os egípcios desejarem", disse Kerry.