Berlusconi diz que presidente egípcio é "um homem sábio"

Manifestações contra Mubarak se estendem a Alexandria

CAIRO - Milhares de pessoas participam nesta sexta-feira, em Alexandria, norte do Egito, das manifestações do "Dia da Partida", convocadas pela oposição para exigir a renúncia do presidente Hosni Mubarak.

Os manifestantes, incluindo muitos integrantes da Irmandade Muçulmana, a principal força opositora, se reuniram diante da mesquita Qaed Ibrahim, no centro da cidade, aos gritos de "Abaixo Mubarak! Abaixo o regime!".

Entre os participantes também estavam simpatizantes de outros grupos opositores, como Kefaya (Basta) e o Movimento de 6 de Abril, assim como partidários do Prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei.

Sobhi Saleh, dirigente da Irmandade Muçulmana, afirmou que muitos manifestantes, incluindo 25 mil pessoas reunidas no bairro Raml, devem se unir à marcha principal. Os organizadores esperam mobilizar um milhão de pessoas em todo o país em um golpe decisivo para Mubarak.

Os protestos começaram em 25 de janeiro e levaram a confrontos que deixaram pelo menos 300 mortos e milhares de feridos, segundo a ONU.

 

Em Roma, Berlusconi elogia Mubarak

O chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, defendeu uma transição democrática no Egito sem ruptura com o presidente Hosni Mubarak, a quem classificou de "homem sábio".

"Desejamos uma transição no Egito que traga mais democracia, sem uma ruptura com um presidente como Mubarak, a quem o Ocidente e principalmente os Estados Unidos consideram um homem sábio", afirmou durante uma cúpula de líderes da União Europeia, em Bruxelas, consagrada à crise no país árabe.

Fontes do gabinete italiano informaram posteriormente que suas palavras devem ser interpretadas como um pedido para a continuidade da "linha de Mubarak" e para a permanência dele no poder.

Milhares oram por saída de Mubarak

 Dezenas de milhares de pessoas oraram na praça Tahrir, no centro do Cairo, onde se concentram os manifestantes anti-Mubarak, ao iniciar nesta sexta-feira o que a oposição quer que seja "o dia da partida" do presidente egípcio.

"É um movimento egípcio. Todo mundo participou, tanto muçulmanos quanto cristãos, para exigir os direitos que lhes roubaram", declarou o imã que liderou a oração, identificado como Khaled al Marakbi pelos fiéis reunidos nessa praça central, onde estão entrincheirados há 11 dias os opositores do presidente Hosni Mubarak.

"Não temos um partido que nos represente e expresse nossas reivindicações. Aquele que quiser negociar, que venha aqui para falar", afirmou o irmã. "Estamos livres e queremos viver livres. Peço que tenham paciência até a vitória", completou.

O imã chorou durante a oração na qual se lembrou dos mortos. Segundo a ONU, 300 pessoas morreram no Egito desde 25 de janeiro, às quais se somaram ao menos oito que morreram nos confrontos entre partidários e adversários de Mubarak na batalha campal de quarta-feira na praça Tahrir.

Tão logo acabou a cerimônia, as pessoas começaram a gritar "vá embora, vá embora já" para pedir a renúncia do presidente, de 82 anos, que está há 30 anos no poder.