Agressor de chargista dinamarquês é condenado a 9 anos de prisão

Um somali de 29 anos, Mohamed Geele, acusado de tentar matar Kurt Westergaard, o chargista dinamarquês que fez caricaturas de Maomé, foi condenado na Dinamarca a nove anos de prisão por tentativa de terrorismo e de assassinato.

"Mohammed Geele foi condenado a nove anos de prisão e será expulso definitivamente da Dinamarca" depois de concluir sua sentença, informou a juíza Ingrid Thorsboe, do tribunal de Aarhus.

O advogado Niels Strauss, encarregado da defesa de Geele, que negou durante o julgamento ter tido a intenção de matar o chargista, anunciou que apelaria da decisão, pedindo a "absolvição pelas acusações de terrorismo e circunstâncias atenuantes em relação às demais acusações".

A atual definição de "terrorismo" foi introduzida na lei penal dinamarquesa em 2002, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Thorsboe tinha indicado na quinta-feira que "uma tentativa de assassinato, em 1 de janeiro de 2010, na casa de Kurt Westergaard, protagonista do caso das caricaturas de Maomé, deve ser considerado uma tentativa de assustar em grau elevado a população e as estruturas da sociedade".

Para a representante da promotoria Kirsten Dyrman, "Kurt Westergaard é o símbolo dos valores da sociedade dinamarquesa, e um ataque contra ele é um ataque contra os fundamentos democráticos da Dinamarca".

"Estou satisfeita (...), especialmente pela condenação por tentativa de terrorismo, pois a ação de Mohammed Geele vai além de uma ação individual", havia declarado à AFP.

Por outro lado, "Mohammed Geele tem quatro filhos e duas mulheres, na Dinamarca e na Somália, onde tem parentes", o que, segundo a representante da promotoria, justifica a expulsão dele da Dinamarca quando concluir sua pena.

Para Westergaard, Geele "comportou-se como um terrorista, como um combatente da Guerra Santa, que vinha para matar um infiel. Apenas tinha um objetivo: me matar e matar o símbolo da liberdade de expressão que represento. Espero que tenha tempo para refletir na prisão até onde o fanatismo o levou", declarou por telefone à AFP.

Na noite de 1 de janeiro de 2010, o somali invadiu a casa de Westergaard em Viby, perto de Aarhus, com um machado e uma faca, gritando que queria matá-lo porque tinha ofendido o profeta e os muçulmanos.

Westergaard disse ter escapado da morte ao fugir para o banheiro e chamar a polícia. Quando os policiais chegaram, Geele foi ferido por um disparo.

O chargista foi ameaçado várias vezes de morte desde que seu jornal, o Jyllands-Posten, publicou em 30 de setembro de 2005 um desenho satírico representando Maomé vestido com um turbante em forma de bomba com o pavio aceso.