Tanques do exército fazem retroceder os partidários de Mubarak

Quatro manifestantes morreram hoje no centro do Cairo

CAIRO - Tanques do exército fizeram retroceder os partidários do presidente egípcio Hosni Mubarak, impedindo que voltassem a se aproximar dos manifestantes oposicionistas que, desde quarta-feira, resistem às forças oficialistas na praça Tahrir do Cairo.

Os blindados impediram que alguns dos partidários de Mubarak cruzassem a ponte estratégica que leva à praça, epicentro da rebelião popular que pede a renúncia do presidente no poder desde 1981. Pouco antes, partidários de Mubarak romperam o cordão militar que os separava dos opositores.

Enquanto isso, o vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, iniciou um diálogo com partidos políticos e forças nacionais em meio aos violentos protestos contra o regime, que deixaram pelo menos sete mortos nas últimas horas, informou o canal de televisão estatal.

"Um diálogo começou entre o vice-presidente e os partidos políticos e as forças nacionais", afirma uma faixa de informação do canal estatal no 10º dia de protestos contra o presidente Hosni Mubarak. A emissora não especificou os partidos e forças envolvidos nas conversações.

Veterano dos serviços de inteligência, Suleiman, nomeado por Mubarak como seu primeiro vice-presidente na semana passada, afirmou na quarta-feira que os protestos deveriam acabar antes do início do diálogo com a oposição.

Na manhã desta quinta-feira, quatro manifestantes morreram baleados na Praça Tahrir (Praça da Libertação) do Cairo, onde uma batalha campal entre adversários e partidários do presidente Hosni Mubarak já havia deixado pelo menos três mortos e centenas de feridos na quarta-feira.

"Quatro pessoas morreram, uma delas atingida por uma bala na cabeça", declarou à AFP o médico Mohamed Ismail em um hospital de campanha instalado em uma área próxima da Praça Tahrir.

Tiros esporádicos começaram a ser ouvidos às 4h e prosseguiam com o passar das horas. Os tiros, procedentes da Ponte de Outubro, onde permanecem posicionados os partidários de Mubarak, também deixaram vários feridos.

Os tanques do Exército que cercam a praça executavam movimentos, mas não estava claro se deixariam o local. A Praça Tahrir é o epicentro da revolta popular, que há 10 dias exige a queda de Mubarak.