Países europeus defendem transição e condenam violência no Egito

CAIRO - França, Alemanha, Grã-Bretanha, Espanha e Itália pediram nesta quinta-feira ao Egito, em uma declaração conjunta, o início de um processo de transição e condenaram os que usam ou estimulam a violência. "Apenas uma transição rápida e ordeira para um governo de base ampla vai tornar possível superar os desafios que o Egito enfrenta atualmente", afirma o comunicado. "Este processo de transição deve começar agora", completa.

Desde o dia 25 de janeiro - data que ganhou um caráter histórico, principalmente na internet -, os egípcios pedem a saída do presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. No dia 28, as manifestações ganharam uma nova dimensão, fazendo o governo cortar o acesso à rede e declarar toque de recolher. As medidas foram ignoradas pela população, mas Mubarak disse que não sairia. Limitou-se a dizer que buscaria "reformas democráticas" para responder aos anseios da população a partir da formação de um novo governo.

A partir do dia 29, um sábado, a nova administração foi anunciada. Passaram a fazer parte dela o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro da Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que reinaugurou o cargo de vice-presidente, posto inexistente no país desde 1981. A medida, mais uma vez, não surtiu efeito, e os protestos continuaram.

No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da polícia antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição seguiu se organizando. O líder opositor Mohamad ElBaradei garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Já os Irmãos Muçulmanos disseram que não iriam dialogar com o novo governo.

Na terça, dia 1º de fevereiro, dezenas de milharesde pessoas se reuniram na praça Tahrir para exigir a renúncia de Mubarak. A grandeza dos protestos levou o líder egípcio a anunciar que não participaria das próximas eleições, para delírio da massa reunida no centro do Cairo.

Apesar de os protestos de ontem terem sido pacíficos, a ONU estima que cerca de 300 pessoas já tenham morrido no país desde o início das manifestações.