Governo egípcio anuncia diálogo, mas grupo opositor rejeita negociações

CAIRO - O governo do Egito anunciou nesta quinta-feira o início de um diálogo com "forças nacionais", que incluem representantes dos manifestantes que há 10 dias exigem a queda do presidente Hosni Mubarak, mas a principal coalizão de oposição reiterou a recusa em negociar enquanto o chefe de Estado permanecer no poder.

O primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, também anunciou uma investigação sobre o violento ataque de partidários de Mubarak contra os manifestantes da Praça Tahrir do Cairo, que desde quarta-feira deixaram pelo menos sete mortos.

"Um diálogo começou entre o vice-presidente (Omar Suleiman) e os partidos políticos e as forças nacionais", informou o canal de televisão estatal, sem esclarecer quem participava nas conversações. ''Nós nos reunimos hoje com representantes dos partidos de oposição e forças nacionais para encontrar uma saída à atual situação", afirmou Shafiq, citado pelo canal estatal.

Mas Mohamed Abul Ghar, porta-voz da Coalizão Nacional para a Mudança, agrupada ao redor do líder opositor Mohamed ElBaradei e que inclui a Irmandade Muçulmana e o movimento Kefaya, reiterou a recusa em negociar enquanto Mubarak permanecer no comando do país. "Nossa decisão é clara: não haverá negociações com o governo antes que Mubarak saia. Depois disto, estaremos prontos para dialogar com (o vice-presidente, Omar) Suleiman", declarou Ghar à AFP.

Citado pela televisão, Shafiq afirmou que "o diálogo com a oposição engloba representantes dos manifestantes da Praça Tahrir". Segundo a agência oficial Mena, Suleiman e Shafiq "se reuniram na sede do conselho de ministros com um grupo de representantes e líderes de partidos egípcios que aceitaram participar no diálogo nacional".

Veterano dos serviços de inteligência, Suleiman, nomeado por Mubarak como seu primeiro vice-presidente na semana passada, anunciou na segunda-feira que recebeu a missão de abrir um diálogo imediato com a oposição.

A rebelião popular que explodiu na terça-feira da semana passada teria deixado pelo menos 300 mortos desde 25 de janeiro, segundo números não confirmados da ONU.