Forças Armadas pedem fim das manifestações no Egito

Milhares de pessoas ainda ocupam o centro do Cairo no nono dia de protestos contra Mubarak

CAIRO - As Forças Armadas egípcias pediram nesta quarta-feira que os manifestantes que há nove dias exigem a renúncia do presidente Hosni Mubarak encerrem os protestos. O apelo foi feito em um discurso de um porta-voz militar na televisão estatal.

Enquanto isso, milhares de manifestantes, que passaram a noite na Praça Tahrir (Libertação), no centro do Cairo, em desafio ao toque de recolher, amanheceram nesta quarta-feira com gritos de pedidos de renúncia do presidente Hosni Mubarak, no início do nono dia dos protestos que sacodem o Egito.

"Vamos, vamos, Hosni fora!", gritavam os manifestantes à medida que deixavam as barracas montadas na praça, um dia depois de uma mobilização de um milhão de pessoas em todo o país e da recusa de Mubarak em deixar o poder. Na Praça Tahrir, epicentro da revolta popular, muitas faixas exigem o fim do regime de Mubarak.

Uma deles afirma em inglês "People demand removal of the regime" (O Povo exige a queda do regime) e outra, em árabe, dirigida a Mubarak tem apenas a mensagem "Vá!".

Por outro lado, quinhentos partidários de Hosni Mubarak se reuniram nesta quarta-feira no Cairo para manifestar apoio ao governante, que na terça-feira deixou deixou claro que não cederia às manifestações que exigem sua renúncia.

"Sim a Mubarak para proteger a estabilidade", afirma uma faixa posicionada nas proximidades do prédio da televisão nacional, a um quilômetro da Praça plaza Tahrir, onde acontecem os protestos diários contra o presidente. "Sim ao presidente da paz e da estabilidade", afirma outra faixa.

 

Obama pede transição 'já'

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, revelou que disse ao presidente Hosni Mubarak que a transição política ordenada e pacífica deve começar "agora" no Egito. Em sua primeira reação após o anúncio de Mubarak, de que deixará o cargo após as eleições de setembro, Obama reiterou de que não é papel dos Estados Unidos escolher o líder do Egito.

Obama colocou mais pressão sobre Mubarak, um aliado dos EUA há 30 anos, mas não se juntou às multidões de manifestantes que pedem para que ele saia do poder imediatamente. "O que está claro, e que eu indiquei hoje ao presidente Mubarak, é a minha crença de que uma transição ordenada deve ser significativa, deve ser pacífica, e deve começar agora", disse Obama, minutos depois de conversar por telefone com o líder egípcio.

Obama fez um gesto em direção à multidão de jovens egípcios que reagiram com raiva ao anúncio de Mubarak de que permanecerá no poder até setembro. "Para as pessoas do Egito, particularmente aos jovens do Egito, eu quero ser claro, nós ouvimos as suas vozes. Eu tenho uma convicção firme de que vocês irão determinar seu próprio destino", afirmou Obama na Casa Branca.

O presidente americano também elogiou o Exército egípcio por permitir que milhares de pessoas protestassem pacificamente contra o governo de Mubarak. "Eu quero elogiar o Exército egípcio pelo profissionalismo que demonstrou enquanto protegia as pessoas do Egito", disse Obama.

"Nós vimos tanques cobertos com bandeiras e soldados e manifestantes nas ruas se abraçando. E, seguindo adiante, peço aos militares que continuem com seus esforços para ajudar a garantir que este tempo de mudança seja pacífico", completou.

Mais cedo, um funcionário americano que não quis se identificar confimou à AFP uma informação do The New York Times que dizia que Obama pedira a Mubarak que não se apresentasse às eleições egípcias de setembro, através de mensagem transmitida por um ex-embaixador americano no Cairo, Frank Wisner.

E antes disso, ainda nesta terça-feira, um funcionário americano revelou que a embaixadora dos Estados Unidos no Cairo, Margaret Scobey, conversou por telefone com Mohamed ElBaradei, um dos líderes da oposição egípcia. Margaret Scobey repetiu a ElBaradei a posição pública dos Estados Unidos sobre a crise: Washington deseja a transição política, mas não quer ditar para o Egito a direção a tomar, segundo a mesma fonte.