Ex-ditador haitiano 'Baby Doc' afirma que ri ao ser chamado de tirano

PORTO PRÍNCIPE - O ex-ditador haitiano Jean-Claude 'Baby Doc' Duvalier rebateu as acusações contra ele, defendeu o legado de seu regime e disse, em uma entrevista concedida na terça-feira à noite, que ri ao ser chamado de tirano, por considerar que deu início ao processo democrático no Haiti.

"Fui eu quem iniciou o processo democrático. Quando me chamam de tirano me fazem rir, parece que as pessoas sofrem de amnésia, que esqueceram em quais condições deixei o Haiti", afirmou. Além disso, "Baby Doc" Duvalier disse que nos 25 anos de exílio nunca teve suas contas congeladas e que espera repatriar os milhões de dólares que tem depositados na Suíça para destiná-los à reconstrução do Haiti.

Em uma entrevista à rede Univisión, a primeira que concedeu desde seu retorno ao Haiti, Duvalier defendeu a propriedade destes fundos e afirmou que não pertencem a ele, e sim a uma fundação que é propriedade de sua família. "Durante 25 anos, nunca congelaram minhas contas, nem na Suíça e nem em outra parte do mundo. Estes fundos pertencem à fundação Simón Duvalier", disse o ex-ditador.

A Suíça bloqueou na terça-feira os fundos de Duvalier, após a entrada em vigor de uma nova lei que permite devolvê-los ao Haiti, anunciou o ministério das Relações Exteriores suíço. "Assim que liberarem esses fundos, serão utilizados em sua maioria na reconstrução da cidade natal de minha mãe", garantiu Duvalier.

Após 25 anos de exílio na França, Jean-Claude Duvalier voltou inesperadamente ao Haiti em meados de janeiro. As autoridades haitianas afirmam que mais de 100 milhões de dólares foram desviados, sob o pretexto de obras sociais, antes da queda de seu regime, que em 1971 havia sucedido o de seu pai, François Duvalier 'Papa Doc', eleito presidente em 1957.

Na mesma entrevista, Duvalier disse que voltou do exílio para ajudar o povo haitiano a reconstruir o país, após o terremoto de 2010, que deixou mais de 220.000 mortos, e a epidemia de cólera que se seguiu, e que já matou mais de 4 mil pessoas.

"Porto Príncipe não é a cidade que conheci, a cidade que deixei. Acredito que nenhuma pessoa responsável possa ficar indiferente perante tanto sofrimento e tanta miséria. Por isso estou presente no Haiti, para ajudar o povo haitiano em sua reconstrução", afirmou.