Israel teme que revolta no Egito interrompa fornecimento de gás

Israel expressou seu temor nesta terça-feira de que o fornecimento de gás do Egito possa ser interrompido com as revoltas populares no país, que pedem a saída do presidente Hosni Mubarak.

"Nós mais uma vez percebemos que o Oriente Médio não é uma região estável. Precisamos agir para garantir nossa energia de forma segura, sem depender de outros", disse um porta-voz do ministério israelense de infraestrutura nacional, Uzi Landau, à AFP.

O Egito atualmente fornece em torno de 40% do gás natural de Israel e, em dezembro, quatro empresas israelenses assinaram contratos de 20 anos, avaliados em 10 bilhões de dólares, para importar gás egípcio.

Mas com a incerteza em relação ao futuro político do Egito, Israel está preocupado com a possibilidade de o novo regime do Cairo não respeitar a paz bilateral assinada três décadas atrás - e, consequentemente, o fornecimento de energia.

Esse temor aumentou depois que líderes egípcios da Irmandade Muçulmana pediram que o Cairo interrompesse o fornecimento de gás a Israel.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu expressou preocupação com o fato de grupos islâmicos explorarem o caos no Egito para ganhar poder.

Landau reuniu-se com os presidentes das companhias israelenses que estão desenvolvendo o campo de gás em Tamar - que deve iniciar a produção em 2013 - para pedir a eles que acelerem o projeto e entreguem no prazo, informou seu gabinete.

O ministro afirmou que a importância do campo de Tamar é ainda maior "em tempos de incerteza na nossa região". Os campos de Tamar, perto do porto de Haifa, nordeste de Israel, têm reservas estimadas de 8 bilhões de metros cúbicos.

O jornal financeiro The Globes informou nesta terça-feira que o ministério de Landau fez treinamentos para lidar com cenários de emergências nos quais o fornecimento de gás são cortados, sem divulgar mais detalhes sobre isso.