"Estamos com vocês", diz opositora birmanesa a egípcios

"Estamos todos com vocês", afirmou nesta terça-feira a opositora birmanesa e prêmio Nobel da Paz San Suu Kyi, quando centenas de milhares de pessoas protestaram no Cairo para pedir a saída do presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Em uma entrevista à BBC, Suu Kyi, que lutou durante décadas contra o regime militar birmanês, disse que estava "muito interessada" na situação e pediu que os manifestantes resistam.

"É necessário manter a cabeça fria e o coração quente, não perder nunca a esperança e continuar", disse o símbolo da resistência birmanesa, respondendo a um ouvinte que telefonava do Cairo pedindo conselho diante deste "momento de transição que dá muito medo" no Egito.

"Quero que saibam que estamos todos com vocês, que pessoas do mundo inteiro que querem liberdade, de uma forma ou de outra se sentem conectados com um povo que luta pela liberdade", completou.

Suu Kyi considerou "normal que as pessoas, após muitos anos, se cansem de regimes autoritários".

"Creio que a situação egípcia demonstrou que as pessoas hoje têm muitas maneiras de se manter em contato e de organizar manifestações em massa", completou a líder da Liga Nacional pela Democracia (LND).

A LND ganhou por maioria absoluta as eleições birmanesas de 1990, mas sua vitória nunca foi reconhecida pela junta militar, e Suu Kyi passou a maior parte dos últimos 20 anos detida. Suu Kyi foi libertada de sua última prisão domiciliar em novembro passado.

Questionada sobre se as manifestações como as vistas no Egito seriam a melhor forma de levar a democracia para Mianmar, respondeu: "não acredito que se possa dizer que é a melhor forma de avançar".

"É apenas uma forma de obter mudanças, mas não creio que se possa dizer que seja a melhor maneira, porque não esgotamos todas as possibilidades", concluiu.