Afeganistão: 2.400 civis mortos em 2010, recorde em 9 anos de guerra

CABUL - O conflito afegão provocou a morte de pelo menos 2.400 civis em 2010, uma média de seis por dia, um recorde em nove anos de guerra, anunciou a organização não governamental ARM (Afghan Rights Monitor). Os grupos insurgentes são responsáveis por dois terços das mortes, as forças internacionais por 21% e as força afegãs e suas "milícias aliadas" por 12%, segundo o relatório anual da ARM sobre as vítimas da guerra.

No momento em que o conflito entra no 10º ano, com o maior número já registrado de forças internacionais e afegãs, "os números de civis mortos, feridos ou deslocados alcançam níveis recorde", destaca a ONG, que também informa que em 2010 foram feridos 3.270 civis.

Em 2009, segundo a ARM, 2.332 civis foram mortos, com uma distribuição das responsabilidades similar à registrada em 2010.

As bombas de fabricação caseira usadas pelos insurgentes são o armamento que mais provoca vítimas (693 mortos e 1.800 feridos), segundo a ONG. Além disso, pelo menos 217 civis morreram em bombardeios aéreos da coalizão internacional e 192 por disparos diretos ou indiretos de seus soldados.

Os "supostos talibãs" mortos pelas coalizão são frequentemente simples civis, "o que afeta seriamente a credibilidade das forças internacionais ante muitos afegãos", destaca a ONG.

A ARM também lamenta a "quase impunidade" na qual operam as empresas privadas de segurança, responsáveis por vários incidentes. "O Afeganistão carece de fundamentos básicos para conquistar uma paz duradoura: um governo legítimo, competente e independente", afirma ARM, que denuncia um sistema político "altamente corrupto e ineficaz que recompensa os chefes de guerra, os criminosos e os traficantes de droga".

O governo afegão, apoiado por 140.000 soldados estrangeiros - dois terços deles americanos -, combate a insurreição dos talibãs, expulsos do poder no fim de 2001 pela coalizão militar internacional. A coalizão prevê o início da transferência este ano da responsabilidade da segurança do país às forças afegãs, um processo que supostamente deve ser concluído em 2014.