Reflexos econômicos da revolta egípcia começam a ser sentidos

urismo em compasso de espera, bancos e Bolsa de Valores fechados, falta de combustível: o Egito acusa os contragolpes econômicos pela revolta popular que abala o país há uma semana.

O turismo foi fortemente afetado desde o início da revolta, que fez mais de 125 mortos e milhares de feridos. Várias pessoas cancelaram viagens e reservas, bem no auge da temporada no setor, que é uma das principais fontes de renda do Egito, com 14,7 milhões de visitantes em 2010 e receitas estimadas entre 12,6 bilhões e 13 bilhões de dólares.

As autoridades anunciaram nesta segunda-feira o fechamento de bancos e da Bolsa de Valores de Cairo. Além disso, o acesso à internet do país está bloqueado desde sexta-feira e o toque de recolher foi reforçado.

A Bolsa do Cairo havia fechado na quinta-feira com forte baixa de 10%, acusando em dois dias perdas de 70 bilhões de libras egípcias, ou seja, cerca de 12 bilhões de dólares, segundo cifras oficiais. A Bolsa e os bancos fecham normalmente nas sextas-feiras e sábados, voltando a reabrir no domingo.

No entanto, os bancos continuarão fechados até terça-feira, anunciou o Banco Central, precisando que as decisões envolvendo o setor seriam tomadas em função dos próximos eventos.

Esses fechamentos provocaram falta de dinheiro. Grande parte dos caixas eletrônicos estava vazia no Cairo na manhã desta segunda-feira e aqueles que funcionavam permitiram apenas a retirada de somas limitadas.

"Dei a volta à cidade à procura de um caixa eletrônico e encontrei apenas um, num bairro onde os habitantes não utilizavam a máquina", declarou Mohamed, um motorista.

A atividade de frete aéreo sofreu também uma forte baixa, lamentou o presidente da Egyptair Cargo, Aymane Nasr. Segundo ele, o comércio com o exterior foi afetado pela "impossibilidade de pagamento das taxas de importação por falta de liquidez, devido ao fechamento dos bancos, ou pela dificuldade de chegar ao aeroporto em razão do toque de recolher".

No Cairo, alguns supermercados aceitavam apenas dinheiro em espécie, constatou um jornalista da AFP. Por esse motivo, dezenas de cidadãos invadiram as mercearias de vários bairros.

Vários postos de gasolina estavam fechados e longas filas de carros se estendiam ao longo daqueles que continuavam abertos. A Câmara de Comércio do Cairo pediu nesta segunda-feira que as lojas voltassem a abrir, mas a maioria permaneceu de portas fechadas.

Alguns comerciantes se queixaram de um início de falta de cigarros, em um país que contabiliza um grande número de fumantes e onde o preço do tabaco é relativamente baixo. Os cartões de recarga de telefones celulares também começaram a faltar em todo o país que possui cerca de 65 milhões de usuários.

Ante um temor crescente de escassez, as autoridades garantiram que o país dispunha de estoques suficientes de alimentos, principalmente armazenamento de trigo, para até o mês de junho.

Como sinal de uma preocupação que vem aumentando, certas empresas estrangeiras anunciaram suspensão de suas atividades, como a gigante marítima e petroleira dinamarquesa A.P.Moeller-Maersk, a empresa de materiais de construção francesa Lafarge e a montadora automobilística Nissan.

A companhia nacional Egyptair anunciou o cancelamento de todos os voos internos e externos previstos entre 15h00 e 08h00, a partir desta segunda até nova ordem, precisando que os horários de alguns voos seriam modificados em função das horas do toque de recolher.