Brasil manifesta preocupação com onda de violência no Egito

O governo brasileiro divulgou uma nota nesta segunda-feira em que se diz preocupado com a crise política enfrentada pelo Egito e manifesta o repúdio pelos atos de repressão violenta contra os manifestantes. O Brasil também colocou à disposição dos brasileiros os números telefônicos da Embaixada do País no Cairo, a capital egípcia.

Confira abaixo a nota na íntegra:

O Governo brasileiro acompanha com preocupação a situação no Egito, e espera que não haja atos de repressão violenta contra os manifestantes. Reafirma o desejo de que os acontecimentos evoluam de forma pacífica.

A Embaixada do Brasil no Cairo desestimula qualquer viagem ao Egito até que a situação volte à normalidade, e tem atuado no retorno antecipado dos brasileiros que se encontram no país.

A Embaixada coloca à disposição dos nacionais brasileiros os seguintes números telefônicos: (00xx202) 2575-6877 e 2577-3013. O número telefônico do plantão diplomático é: (00xx2010) 8177678.

Protestos convulsionam o Egito

A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.

O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.

Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro.Depois Já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.