Prossegue a pressão popular sobre o governo da Tunísia

TÚNIS - A pressão popular para derrubar o governo de transição da Tunísia, principalmente as figuras do deposto regime de Zine El Abidine Ben Ali, prosseguia nesta terça-feira, em meio a versões sobre uma iminente reorganização governamental e num momento em que um alto funcionário americano realizava consultas na capital.

Desde o amanhecer, cerca de mil manifestantes exigiram novamente ante a sede do primeiro-ministro Mohamed Ghanuchi a demissão do governo de transição, no qual têm destaque membros do regime deposto do ex-presidente Zine El Abidine Ben Ali.

O número de manifestantes foi aumentando pela manhã à medida que iam chegando ao local outros grupos, entre eles os estudantes. Mas eram menos numerosos que na véspera, quando eram milhares nas primeiras horas da tarde.

Desafiando o toque de recolher que continua vigente, a grande maioria permaneceu na praça da Kasbah, sob as janelas do gabinete do primeiro-ministro, pela segunda noite consecutiva. Na véspera, os manifestantes jogaram pedras e garrafas contra a polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.

Os incidentes aconteceram quando policiais tentavam retirar os funcionários da sede do governo do premier Mohammed Ghanouchi. A greve por tempo ilimitado dos professores tunisianos registrou adesão na maioria das regiões do país, anunciou Hfayed Hfaye, secretário-geral do sindicato nacional do ensino primário. O porta-voz do governo e ministro da Educação, Taieb Baccuch, anunciou que uma organização governamental era iminente.