Partidários de Hariri denunciam 'golpe de Estado' do Hezbollah no Líbano

Centenas de partidários do primeiro-ministro libanês em fim de mandato, Saad Hariri, denunciaram esta segunda-feira, durante todo o dia, uma tentativa de "golpe de Estado" do Hezbollah (xiita) de querer impor seu candidato como chefe de governo.

Os manifestantes, que convocaram para esta terça-feira "um dia de cólera", queimaram pneus e bloquearam na noite desta segunda-feira várias estradas, informou à AFP um encarregado dos serviços de segurança.

Os protestos se desencadearam após o anúncio da candidatura do deputado Najib Mikati, um bilionário de 55 anos, que conta com o apoio do Hezbollah e com grandes chances de ficar no cargo de Hariri.

A indignação de seus adversários se deve a que, segundo o sistema de partilha de poderes entre as comunidades que compõem a sociedade libanesa, o cargo de primeiro-ministro do Líbano corresponde aos sunitas.

Assim, segundo este sistema de partilha, o presidente do país precisa ser um cristão maronita; o presidente do Parlamento, um muçulmano xiita; e o premier, um muçulmano sunita.

 

"Após o golpe de Estado destinado a permitir ao Hezbollah exercer sua tutela sobre a República Libanesa (...), convocamos os habitantes (...) de todo o Líbano a expressar sua cólera e repúdio à tutela persa mediante manifestações populares pacíficas", disse à imprensa Mustafá Alush, membro do conselho político do partido de Hariri.

 

"O golpe de Estado do Hezbollah pretende colocar a presidência do Conselho sob a tutela do 'wilayat al fakiq'", o sistema político