Israel: ataque à frota humanitária não fere leis internacionais

O bloqueio marítimo à Faixa de Gaza e o violento ataque executado por Israel para impedir que uma frota com ajuda humanitária rompesse o bloqueio estavam de acordo com o direito internacional, afirma o relatório da Comissão de Investigação Israelense publicado neste domingo.

Os seis membros da comissão investigadora, incluindo dois observadores internacionais, responsáveis por examinar os aspectos jurídicos do ataque da Marinha israelense, inocentaram o Estado hebreu por unanimidade.

"A imposição de um bloqueio marítimo à Faixa de Gaza, levando em consideração as razões de segurança e os esforços de Israel para cumprir com suas obrigações humanitárias, era legal e de acordo com o direito internacional", destaca o relatório da comissão dirigida pelo juiz Yaacov Tirkel.

Segundo o documento, o uso da força durante a violenta inspeção do navio turco "Mavi Marmara", barco almirante da frota humanitária internacional, "foi legal e conforme ao direito internacional".

No entanto, em seis dos 133 casos de uso da força pelos oficiais israelense, a comissão Tirkel se absteve de apresentar conclusões, considerando que "não dispõe de informações suficientes".

Ao mesmo tempo, a comissão expressa tristeza pelas "lamentáveis consequências em perdas de vidas humanas e feridos".

A morte de nove turcos durante a operação israelense provocou uma grande crise nas relações entre Israel e Turquia, além de ter gerado uma onda de críticas internacionais.

Uma comissão de investigação turca sobre a ação acusou neste domingo Israel de ter usado a força de maneira "excessiva e desproporcional".

O movimento radical palestino Hamas criticou o relatório da comissão israelense.

"Este relatório confirma a ausência de justiça na entidade sionista (Israel)", declarou à AFP Fawzi Barhum, porta-voz do Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007.

"É uma tentativa desesperada de legitimar os crimes da ocupação de melhorar a imagem (de Israel) ao ocultar este crime", completou.

O porta-voz disse ainda que é "necessário iniciar gestões concretas para julgar os autores deste crime nas instâncias internacionais".