Tunísia: greve e marcha multitudinária protestam contra governo

Centenas de manifestantes do centro-oeste da Tunísia, onde nasceu a "Revolução dos Jasmins", começaram a marchar, este sábado, rumo à capital, em uma "caravana da libertação" para reivindicar a saída do governo dos representantes do regime deposto, enquanto o sindicato tunisiano de ensino fundamental convocou uma greve geral para segunda-feira pedindo a "dissolução do governo".

Segundo um correspondente da AFP no local, cerca de 300 pessoas saíram na manhã de sábado da cidade de Menzel Buzaian, 280 km ao sul da capital, mas outros manifestantes foram se somando à marcha pelo caminho e no cair da tarde se aproximavam de Regueb (centro-oeste), onde eram aguardados pela população.

O correspondente calculou em 800 o número de participantes no pôr-do-sol. Um sindicalista que participava da marcha, Mohamed Fadhel, disse que foram 2.500 os que se uniram à "caravana da libertação".

Vários chamados circularam por diversos meios de comunicação para que outros manifestantes de outras regiões se unam à marcha, que deverá chegar a Túnis dentro "de quatro a cinco dias", segundo Fadhel.

A convocação da greve foi informada à AFP por um porta-voz da União Geral de Trabalhadores Tunisianos (UGTT).

"Os professores do ensino fundamental farão uma greve geral a partir de segunda-feira para pedir a dissolução do governo de transição", declarou Ifa Nasr, contatado por telefone pela AFP.

Segundo ele, esta greve também se destina a manifestar solidariedade com as vítimas da revolta popular que começou há um mês e foi violentamente reprimida pela polícia, e provocou a queda do presidente Ben Ali, em 14 de janeiro.