Candidato Michel Martelly apoia volta de Duvalier ao Haiti

Michel Martelly, um dos candidatos à presidência do Haiti, apoiou o retorno do ex-ditador Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier ao país, após 25 anos de exílio na França, e garantiu que, se vencer o pleito, o nomeará seu assessor.

"Duvalier é um haitiano. Que volte, é a democracia", garantiu Martelly, mais conhecido como "Sweet Micky", em uma entrevista concedida a uma emissora de rádio.

Martelly explicou que se o ex-ditador "tem problemas com a justiça, ela fará seu trabalho".

O candidato à presidência também comentou o possível retorno de outro ex-presidente do Haiti, Jean-Bertrand Aristide, deposto em 2004 por um golpe de Estado.

"Meu sonho é ver todos estes antigos dirigentes tão populares reunidos em um mesmo local para a reconciliação nacional", disse Martelly.

"Chegando ao poder, gostaria que todos os ex-presidentes se tornassem meus conselheiros com o fim de aproveitar toda a sua experiência", disse.

Os resultados preliminares do primeiro turno das eleições, anunciados no início de dezembro, colocaram Martelly na terceira posição, o que provocou uma onda de violência por parte de seus partidários, que denunciaram uma fraude.

Martelly foi excluído do segundo turno ao obter 21% dos votos, apenas 7 mil a menos que o candidato governista Jude Celestin (22%), que ficou atrás da ex-primeira-dama haitiana Mirlande Manigat (31%).

Após supervisar o processo de recontagem, a Organização dos Estados americanos (OEA) recomendou em um relatório que Celestin se retire da corrida presidencial em favor de Martelly.

A data do segundo turno das eleições - que deveria ter sido realizado no domingo, dia 16 - ainda não foi anunciada, apesar da previsão de que o presidente em fim de mandato, René Préval, cederá o poder no dia 7 de fevereiro.