Sudaneses enfrentam longas filas para votar no segundo dia de referendo

JUBA - Milhares de sudaneses do sul esperaram em longas filas na manhã desta segunda-feira para votar no referendo que determinará a independência de sua região, cujos trabalhos foram abertos no domingo e vão até o próximo sábado.

Na universidade de Juba, capital do Sudão do Sul, milhares de eleitores aguardavam pacientemente do lado de fora das mesas de votação. Muitos passaram a noite na fila.

Desde domingo e durante uma semana, os sudaneses do sul se pronunciarão a favor da manutenção da unidade com o resto do país, o maior da África, ou da secessão.

As mesas de votação são abertas todos os dias do referendo às 8h (3h de Brasília) e fechadas às 17h (14h). No domingo, porém, a grande afluência de eleitores obrigou muitas sessões a permanecerem funcionando até mais tarde.

Este referendo é esperado há mais de 50 anos, e que deve levar à divisão do maior país do norte da África, entre o Norte, muçulmano, e o Sul, cristão.

O presidente americano, Barack Obama, e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, apoiaram a iniciativa. "Os Estados Unidos estão completamente comprometidos em ajudar as partes para resolver as questões críticas após o referendo, seja qual for o resultado da votação", afirmou Obama.

"É o momento histórico pelo qual os sudaneses do sul tanto esperavam", declarou Salva Kiir, presidente da região semiautônoma do Sudão do Sul. Vários atos de violência ofuscaram o ambiente festivo deste primeiro dia de votação.

Pelo menos 33 pessoas morreram desde sexta-feira no enclave de Abyei, entre as regiões norte e sul do Sudão, informaram nesta segunda-feira à AFP chefes de tribos locais. "Treze árabes Misseriya foram mortos e 38 ficaram feridos desde sexta-feira", indicou o líder tribal Misseriya Hamid al-Ansari.

"Nos últimos três dias, perdemos no total entre 20 e 22 Dinka", disse Deng Arop Kuol, administrador da região de Abyei. "Eles já nos atacaram três vezes, e estamos esperando um novo ataque hoje (segunda-feira)".

Aproximadamente quatro milhões de sudaneses, residentes no Sudão do Sul, mas também no norte e no exterior, foram convocados às urnas para decidir se o país deve permanecer unido ou separar-se, o que questionará as fronteiras herdadas da colonização ocidental na África.