Para Hillary, sanções atrasaram o programa nuclear iraniano

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta segunda-feira que as sanções internacionais "dificultaram" a concretização dos projetos nucleares do Irã.

"A análise mais recente é de que as sanções surtiram efeito", declarou Hillary, falando para um grupo de estudantes.

"Elas dificultaram muito que o Irã concretize suas aspirações nucleares. O Irã tem problemas tecnológicos que atrasam seu calendário", acrescentou.

"Constatamos, portanto, alguns problemas no Irã. Mas a verdadeira questão agora é saber como vamos convencer o Irã de que as armas nucleares não o deixarão mais seguro nem o tornarão mais forte, e sim o contrário", destacou Hillary.

É a primeira vez que a secretária de Estado afirma que as sanções começam a ter repercussões no programa nuclear do Irã.

O ex-chefe dos serviços de inteligência israelenses (Mosad) Meir Dagan afirmou na sexta-feira que um ataque israelense a instalações nucleares iranianas não se justifica neste momento, já que o país não terá capacidade nuclear antes de 2015 devido aos atrasos acumulados.

No fim de dezembro, o ministro das Relações Estratégicas israelense, Moshé Yaalon, sustentou que "dificuldades" recentes causaram anos de atraso ao Irã em seu projeto de criação da bomba atômica.

Mas no domingo à noite Hillary tentou evitar a desmobilização, afirmando que não quer que "ninguém erre pelas análises" dos serviços de inteligência.

"Esperamos que todos os nossos sócios compartilhem nossa inquietação (em relação ao Irã), que sigam tão comprometidos quanto possível e façam tudo o que puder para ajudar na aplicação de sanções", disse.

Os Estados Unidos e parte da comunidade internacional acusam o Irã de tentar dotar-se da bomba atômica se escondendo em um programa nuclear civil, o que Teerã sempre desmentiu.

Um vírus de computador, Stuxnet, impulsionado, ao que parece, por Israel, afetou as centrífugas iranianas que produzem urânio enriquecido. Teerã também acusa Israel e Estados Unidos pelos atentados de novembro, nos quais um responsável pelo programa nuclear iraniano morreu e outro ficou ferido.

Hillary começou nesta segunda-feira em Abu Dhabi um giro que a levará, depois dos Emirados Árabes Unidos, a Omã e ao Qatar.

Aliados de Washington, estes Estados árabes do Golfo dizem aplicar ao pé da letra as sanções contra seu vizinho iraniano, apesar das repercussões negativas sobre suas economias, em particular a de Dubai, onde Hillary chegará nesta segunda-feira à noite.

Em novembro, comerciantes de Dubai convocaram as autoridades a intervir para aliviar as restrições impostas, sobretudo pelos bancos, ao comércio com o Irã.

Desde setembro, os bancos radicados nos Emirados Árabes Unidos interromperam as transferências ao Irã e vigiam de perto as transações dos clientes iranianos.

Os Emirados Árabes Unidos, onde vivem cerca de 400 mil iranianos, são um importante sócio comercial do Irã.