Obama encabeça um minuto de silêncio pelo massacre no Arizona

WASHINGTON - Os Estados Unidos, com Obama à frente, realizaram um minuto de silêncio em memória das vítimas do massacre que, no sábado, matou seis pessoas e feriu 14, entre elas uma congressista americana em Tucson (Arizona).

Às 11h, em Washington (14h de Brasília), Obama e sua esposa Michelle saíram pela porta sul da Casa Branca e deram alguns passos antes de ficarem parados, com a cabeça baixa e os olhos fechados, enquanto tocava um sino ao fundo.

O casal presidencial, cercado pelo pessoal da Casa Branca, se dirigiu posteriormente para sua residência, sem dar nenhuma declaração.

No domingo, Obama convocou os cidadãos a fazer "um momento de silêncio" pelas vítimas do tiroteio.

"Amanhã peço aos americanos que façam um momento de silêncio para honrar as vítimas da tragédia absurda em Tucson, Arizona, e para os que seguem lutando para sobreviver", disse Obama em um comunicado.

"Será uma chance para nos reafirmarmos como nação, seja na oração ou na reflexão, lembrando as vítimas e suas famílias", acrescentou.

Obama também pediu que a bandeira americana seja hasteada a meio mastro em todos os edifícios públicos e militares do país e do resto do mundo "como um sinal de respeito às vítimas".

Atirador do Arizona: um jovem incoerente, mas obcecado

O acusado de ter atirado no sábado contra uma congressista no Arizona, causando a morte de seis pessoas, redigiu textos, a maioria incoerentes, mas que mostram uma obsessão por entrar em contato com a legisladora democrata, segundo as autoridades que investigam o crime.

Enquanto o país, em estado de choque, se perguntava se os motivos de Jared Loughner, de 22 anos, seriam políticos, os primeiros elementos da investigação apontam para um jovem solitário e atormentado, que, inclusive, teria tido problemas mentais.

Sua foto no anuário do colégio de ensino médio em Tucson (Arizona, sudoeste) revela um jovem desgrenhado, com sorriso tímido. Seus colegas de aula descreveram a espiral negativa na qual se encontrava até ser suspenso da universidade pública no ano passado.

"Acho que foi deslizando lentamente para uma crise psicótica. Algo se quebrou nele. Nem sempre foi assim", contou Caitie Parker, sua colega de sala, em seu Twitter.

Os textos do jovem publicados na internet revelam seu fascínio por ideologias extremas. Entre seus livros favoritos, citava "O Manifesto Comunista", de Marx e Engels, e "Minha Luta", de Adolf Hitler.

Seus escritos tomavam com frequência a forma de exercícios de lógica, expondo uma ideia antes de propor a conclusão. Com frequência falava, de forma confusa, em criar uma nova moeda.

"Não é para a nova moeda ser distribuída letalmente às pessoas. Sendo assim, é para distribuí-la de forma não letal às pessoas", registrou no site de vídeos YouTube.

Em outra mensagem, destacou: "a maioria das pessoas que moram no Distrito 8 é analfabeta - hilário. Eu não controlo sua estrutura gramatical do inglês, mas você controla sua estrutura gramatical do inglês".

Uma de suas atividades favoritas era o "sonho consciente", o qual descrevia assim: "minha ambição é informar os sonhadores conscientes sobre uma nova moeda. Em alguns dias saberão que sou um sonhador consciente!".

Jared Loughner foi indiciado no domingo por assassinato e tentativas de assassinatos - entre elas a da legisladora Gabrielle Giffords - após o banho de sangue que custou a vida, no sábado, de seis pessoas durante um comício político no estacionamento de um supermercado.

Aparentemente não foi a primeira vez que o acusado seguiu Giffords. Segundo a declaração de um agente da FBI que acompanhava a acusação, os investigadores encontraram na casa do agressor uma carta de Giffords agradecendo sua presença em uma de suas reuniões públicas em 2007.

Junto com a carta, em um cofre, encontraram um envelope com as frases "Eu planejei", "Meu assassinato" e "Giffords" escritas a mão, além do que aparentava ser a assinatura de Loughner.

Em entrevista à rede de televisão Fox News, o comissário do condado de Pima, Clarence Dupnik, referiu-se mais tarde a outra carta de Loughner, na qual "dizia que ia matar essa mulher irritante".

Consultado sobre se estava claro que Giffords, de 40 anos, era o alvo, Dupnik respondeu: "não há nenhuma dúvida a respeito. Não há nenhuma dúvida de que este foi um ato de um único indivíduo muito perturbado".

Segundo a acusação, Loughner comprou sua arma em novembro, em uma loja de Tucson. Dois meses antes, o Pima Community College o suspendeu, exigindo-lhe uma autorização psiquiátrica atestando que não era um risco para os demais.

Em e-mail premonitório, reproduzido no jornal Washington Post, a estudante Lynda Sorenson havia advertido que Loughner poderia ser "um desses cuja foto aparece nos jornais depois de entrar em uma sala de aula com uma arma automática".