Conselho de Segurança se reúne para discutir crise intercoreana

NOVA YORK - O Conselho de Segurança das Nações Unidas celebrou conversações de emergência, este domingo, sobre a escalada das tensões entre as duas Coreias, enquanto Seul prometeu seguir adiante com exercícios militares com disparos reais em uma ilha da fronteira.

Pyongyang respondeu informando que intensificou o status de alerta ao longo da costa norte-coreana, perto do local planejado para os exercícios.

Enquanto isso, o enviado americano, Bill Richardson, apresentou suas próprias propostas à liderança norte-coreana, em Pyongyang, na tentativa de reduzir a hostilidade crescente.

"É uma situação muito, muito tensa, uma situação de crise", disse Richardson à rede de TV americana CNN, falando da capital norte-coreana.

A Coreia do Sul informou que seguirá adiante com os exercícios com disparos reais, perto da ilha Yeonpyeong, na disputada fronteira marítima, assim que melhorarem as condições meteorológicas. A Coreia do Norte, que bombardeou a ilha no mês passado, matando quatro pessoas, alertou para um "desastre" caso as intenções sul-coreanas prosseguirem.

A Coreia do Norte intensificou o nível de prontidão de combate de suas forças na costa do Mar Amarelo, perto do local planejado para os exercícios da Coreia do Sul, segundo uma fonte governamental de Seul, citada pela agência sul-coreana Yonhap.

Uma unidade de artilharia "elevou seu nível de prontidão" e alguns caças foram retirados de um hangar da Força Aérea, acrescentou a fonte, que pediu para ter sua identidade preservada.

A Rússia, que solicitou a reunião de emergência do Conselho de Segurança, quer que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mande um enviado especial para os dois países para buscar "medidas urgentes" que detenham a crise, informaram fontes diplomáticas.

Os russos fizeram este apelo em um esboço de declaração, enviada aos outros 14 membros do Conselho de Segurança, no qual pediu "cautela máxima" tanto da Coreia do Norte quanto da Coreia do Sul, disseram diplomatas.

No entanto, o Conselho de Segurança nunca conseguiu sequer chegar a um acordo sobre o bombardeio norte-coreano a Yeonpyeong, em 23 de novembro, causa da atual escalada das tensões.

Desde então, a China bloqueou todas as manobras para condenar a Coreia do Norte.

Segundo um diplomata, a maioria dos países do Conselho de Segurança que participam das conversações deste domingo gostaria que fosse aprovado um comunicado que criticasse o norte pelo bombardeio e o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano, em março, mas Rússia e China querem apenas um pedido de cautela e que seja mandado um enviado especial.

Durante conversas telefônicas, no sábado, os ministros das Relações Exteriores de China e Rússia instaram a Coreia do Sul a cancelar seus exercícios militares.

"A China se opõe firmemente a quaisquer ação que cause tensão e agrave a situação", disse o ministro chinês, Yang Jiechi.

"Estamos seriamente preocupados sobre uma possível futura escalada da tensão na península coreana", afirmou o enviado russo às Nações Unidas, Vitaly Churkin, no sábado.

"Acreditamos que o Conselho de Segurança deva mandar um sinal de cautela" para as Coreias do Norte e do Sul, acrescentou.

Em Pyongyang, Richardson, governador do Novo México e um veterano negociador da Coreia do Norte comunista, propôs que as duas Coreias estabeleçam uma linha direta militar para tratar de incidentes fronteiriços, noticiou a CNN.

Ele também defendeu que uma comissão militar com membros das Coreias do Norte e do Sul, juntamente com os Estados Unidos, monitorem as áreas em disputa no Mar Amarelo, incluindo a ilha de Yeonpyeong.

Richardson falou após um encontro com o major-general Pak Rim Su, que chefia as forças norte-coreanas na tensa fronteira com o sul. O enviado americano descreveu as conversas como "muito duras", porém com "algum progresso".

Richardson disse que Pyongyang estava "muito, muito afrontada" com o plano de Seul de realizar os exercícios militares, embora o general norte-coreano tenha se mostrado aberto à ideia da criação de uma comissão militar.

Pyongyang ameaçou com um "desastre" caso os sul-coreanos realizem os exercíos em Yeonpyeong, e um comunicado do ministério das Relações Exteriores, este sábado, acusou os militares americanos - uns 20 que participam dos exercícios - de servir de "escudo humano".

A Coreia do Sul rejeitou os apelos para suspender os exercícios militares e disse que eles serão realizados, em um dia, na segunda ou na terça-feira.