Promotor confirma investigação de contas de presidente sudanês

O promotor da Corte Penal Internacional (CPI), Luis Moreno-Ocampo, confirmou este sábado que investiga as contas no exterior do presidente sudanês, Omar el-Bechir, desmentindo que este dinheiro, de um montante de até 9 bilhões de dólares, esteja no Reino Unido.

"Temos diferentes fontes que dão informações sobre o dinheiro de Bechir em várias contas, de várias centenas de milhões até 9 bilhões" de dólares, disse Moreno-Ocampo em entrevista à AFP.

"São informações que tentamos confirmar, não o estamos acusando", acrescentou o promotor, segundo quem "o dinheiro não está no Reino Unido, mas fora".

"Tentamos saber onde está", acrescentou.

Segundo uma nota diplomática americana, divulgada este sábado pelo site WikiLeaks, o presidente sudanês teria desviado 9 bilhões de dólares (6,79 bilhões de euros) de benefícios do petróleo e colocado o dinheiro em bancos britânicos.

De acordo com o documento, o banco britânico Lloyds Banking Group "poderia ter o dinheiro ou saber onde está".

"O banco tem várias contas oficiais do governo sudanês, mas não temos informações de que haja contas do próprio Bechir", explicou o magistrado argentino.

Perguntado sobre os países onde o dinheiro do presidente sudanês poderia estar, o promotor afirmou: "não posso dar esta informação".

Ao ser questionado sobre se este dinheiro provém da venda de petróleo sudanês, acrescentou: "não, não temos certeza de nada, não acusamos ninguém, (apenas) investigamos".

Um funcionário sudanês e o grupo bancário britânico Lloyds Banking Group, que estaria envolvido no caso, segundo o documento diplomático, desmentiram as informações.

Há uma ordem de captura da CPI contra Omar el-Bechir por crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio em Darfur, região do oeste do Sudão que vive uma guerra civil.