Com 162 votos, Berlusconi ganha confiança do Senado

ROMA - O governo italiano de Silvio Berlusconi, ganhou nesta terça-feira, como estava previsto, a primeira batalha no Parlamento italiano, em Roma. Il Cavaliere ganhou a confiança dos senadores, com 162 votos a favor, 135 contra e 11 abstenções, graças ao apoio de seu principal aliado Liga Norte e pouco antes de uma votação de resultado incerto na Câmara dos Deputados.

Para se manter em pé, o governo precisa contar com o apoio também entre os deputados. Estimativas apontam para vitória de Berlusconi por apenas um voto: 313 "sim" contra 312 "não". A vitória não é garantia de tranquilidade. O número de deputados indecisos (três) pode trazer surpresas. Antes de cada uma das votações, Silvio Berlusconi discursará aos parlamentares.

Mesmo que saia vitorioso da Câmara, é consenso entre a classe política que uma maioria apertada não daria governabilidade a Berlusconi. Seguindo o rito legal, o primeiro-ministro deve se reunir com o presidente da república Giorgio Napolitano, que decidirá o futuro do país. São dois os cenários possíveis em caso de queda do governo.

Diante de uma derrota no voto de confiança, Berlusconi corre o risco de cair ainda nesta terça-feira, provocando eleições gerais no país, que seriam realizadas por volta de março do próximo ano. Neste caso, senadores e deputados também cairiam. Pela lei italiana, no entanto, Giorgio Napolitano pode articular com os campos políticos (situação e oposição) um "governo técnico" capaz de levar o país a dias mais calmos sem a necessidade de ir às urnas. A cautela do presidente da república seria justificada pelo temor da crise de confiança que assola a Europa e arrastou Grécia e Irlanda para o buraco.


Histórico

A Itália já passou pela experiência de um governo técnico entre abril de 1993 e maio de 1994, quando Carlo Ciampi, então presidente da Banca D'Italia (o Banco Central italiano), assumiu a presidência do Conselho de Ministros após o estouro de Tangentopoli, a estação de caça à corrupção promovida pela Justiça iniciada em 1992. No período - também conhecido como "Mãos Limpas" -, os partidos políticos envolvidos em um sistema de corrupção endêmica desapareceram, dando origem à parte dos existentes hoje.

Por coincidência, um dos nomes mais cotados para assumir o governo em caso de queda de Berlusconi ocupa novamente o cargo de presidente da Banca D'Italia. Pelas últimas pesquisas, Mario Draghi teria apoio de situação e oposição, além de gozar de bom prestígio público.

Outro nome possível seria o do ministro da Economia, Giulio Tremonti. Na conta da Liga Norte, partido que apoia Berlusconi, Tremonti é a opção que mais agrada à oposição entre os nomes próximos ao Cavaliere, já que Mario Draghi é considerado apolítico. Por hora, o ministro vem negando uma possível oferta para assumir a guia do país.