Obama nega-se a tratar americanos da classe média como 'peões'

WASHINGTON - O presidente Barack Obama renovou neste sábado seu apelo ao Congresso para que apoie o compromisso fiscal que a Casa Branca alcançou com os republicanos, e afirmou que se nega a tratar como "peões" os americanos da classe média.

Em um compromisso anunciado na segunda-feira, Obama e os republicanos concordaram em estender os benefícios fiscais aos ricos em troca de fazer o mesmo para a classe média e prolongar por mais 13 meses os subsídios ampliados para os desempregados.

Muitos democratas se queixaram de que o acordo foi um presente desnecessário para as famílias que prosperaram, apesar da recessão severa, e afirmaram que o acordo amplia a já enorme dívida e aprofunda o déficit fiscal.

"Agora, reconheço que muitos dos meus amigos do meu próprio partido se sentem desconfortáveis com partes do acordo, em particular os cortes de impostos temporários para os ricos. E eu compartilho suas preocupações", disse Obama em seu discurso em uma rádio.

Ele observou que, a longo prazo, se realmente pretendem equilibrar o orçamento, "não podemos permitir continuar com esses benefícios fiscais para os mais ricos, especialmente quando sabemos que a redução do déficit exige o sacrifício de todos".

No entanto, Obama disse que não podia permitir que a classe média ficasse "presa no fogo cruzado político" de Washington. "As pessoas querem que encontremos soluções", disse. "E não permitirei que as famílias de classe média sejam tratadas como peões em um tabuleiro de xadrez".

Exortando os legisladores a aprovar o acordo, Obama afirmou estar confiante de que "farão a coisa certa, fortalecendo a classe média e nossa recuperação econômica".

Até agora, a Casa Branca e os republicanos têm resistido às exigências de alterar o acordo, embora o Senado deva adotar o seu próprio projeto para cumprir o compromisso, ainda que com "algumas alterações", disse um assessor democrata, sem dar detalhes.