UE prevê reivindicar avanços para criação de Estado palestino

A UE prevê reivindicar, na segunda-feira, "progressos urgentes" para a criação de um Estado palestino, mas não endurecerá sua política com Israel pela colonização na Cisjordânia, apesar da requisição neste sentido de 26 ex-encarregados europeus.

"São necessários progressos urgentes em vista de uma solução de dois Estados no conflito israelense-palestino", destaca o projeto de conclusões de uma reunião dos chefes da diplomacia europeia, prevista para segunda-feira em Bruxelas e do qual a AFP obteve uma cópia.

Esta nova declaração favorável a uma solução para o conflito fica restrita quando comparada com o apelo dos 26 ex-encarregados europeus a favor de endurecer a política com Israel por prosseguir com a colonização na Cisjordânia.

Em carta dirigida à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, os signatários, entre eles o antecessor, Javier Solana, reivindicam condicionar as relações com Israel a que detenha a construção de assentamentos, dando-lhes um ultimato até abril de 2011.

Do contrário, propõem enviar o caso à ONU, segundo a carta datada de 2 de dezembro e assinada também pelo ex-chanceler alemão Helmut Schmidt e por Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Europeia.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, também reivindicou esta semana aos 27 uma maior determinação no processo de paz, esperando que "chegue logo o momento em que a UE cumprirá um papel junto aos Estados Unidos".

Enquanto Brasil e Argentina reconheceram o Estado palestino e o Uruguai informou que o fará em 2011, à margem das negociações de paz, estas sofreram um novo revés na terça-feira, com o abandono de Washington de sua ideia de obter uma suspensão da colonização israelense para reativar o diálogo.

Abbas informou que os palestinos "não aceitarão negociações" com Israel "enquanto continuar a colonização".

Em seu projeto de conclusões, passível de modificação, os chefes da diplomacia têm previsto reiterar na segunda-feira o caráter "ilegal" das colônias israelenses, segundo o direito internacional, e o apelo para que Israel se torne a "futura capital dos dois Estados".

"A legitimidade do Estado de Israel e o direito dos palestinos a um Estado não devem ser postos em dívida jamais", diz o texto.