Advogados lamentam ausência de Liu Xiaobo na entrega do Nobel

PEQUIM - A equipe internacional de advogados do dissidente chinês Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz 2010 que cumpre uma pena de 11 anos de prisão, lamentou a ausência do vencedor e de sua mulher, nesta sexta-feira, na cerimônia de entrega - simbólica - do prêmio em Oslo. "A cadeira vazia do doutor Liu na cerimônia de entrega será notável", destacou Irwin Cotler, um dos advogados de Liu Xiaobo, em um comunicado.

Liu Xiaobo foi uma das principais figuras do movimento democrático da Praça da Paz Celestial de 1989. Em dezembro de 2009 foi condenado a 11 anos de prisão por "subversão ao poder do Estado", depois da publicação da "Carta 08", texto do qual foi um dos autores e que pedia a democratização da China.

Em sua ausência, uma cadeira vazia, uma foto e um de seus textos lidos pela atriz norueguesa Liv Ullman representarão simbolicamente o premiado.

Ao recordar que a China também impediu os membros da família de Xiaobo e outros dissidentes de viajar a Oslo, Cotler acrescentou que "tais ações ilustram, infelizmente, o abismo entre as promessas feitas pela China em sua Constituição e a realidade".

Liu Xia, mulher de Liu Xiabo, está em prisão domiciliar desde o anúncio do Nobel da Paz em 8 de outubro, sem qualquer acusação oficial contra ela.

"Infelizmente, porque o governo continua detendo ilegalmente o casal Liu, eles não poderão unir-se a nós em Oslo para celebrar esta grande honra", afirmou outra conselheira jurídica do vencedor, Maran Turner.

Em 109 anos de história do Nobel da Paz, esta é a segunda vez que o prêmio não pode ser entregue ao vencedor ou a um representante. No período da Alemanha nazista, o pacifista Carl von Ossietzky, premiado em 1936, não pôde receber o Nobel porque estava detido em um campo de concentração.