Violência no Haiti por anúncio de segundo turno presidencial

PORTO PRÍNCIPE - O Haiti foi cenário de distúrbios depois dos resultados das eleições presidenciais, segundo as quais o candidato governista Jude Célestin disputará o segundo turno com a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, em meio a denúncias de fraude a favor do primeiro.

Em Pétion-Ville, subúrbio da capital, centenas de jovens encapuzados corriam pelas ruas, em sua maioria bloqueadas, para exigir a anulação da eleição. A AFP constatou que foram erguidas barricadas, depois incendiadas, e que houve princípio de incêndio em várias lojas.

A polícia haitiana teve de realizar disparos de gases lacrimogêneos para dispersar a multidão nas ruas de Porto Príncipe. As rádios haitianas informaram sobre manifestações e disparos em várias cidades do país.

Celestin disputará o segundo turno com Manigat, conforme anunciou o Conselho Eleitoral na terça-feira à noite, o que deu início aos violentos protestos em várias cidades do país.

O governo dos Estados Unidos manifestou preocupação com a "inconsistência" do resultado eleitoral e pediu calma. Já o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, destacou que a contagem dos votos é provisória e existe um processo para contestar o resultado.

Manigat, 70 anos, recebeu 31% dos votos contra 22% de Celestin na votação de 28 de novembro, segundo os resultados preliminares. Como nenhum candidato alcançou 50% dos votos, o país terá um segundo turno em 16 de janeiro para definir o sucessor do presidente René Preval.

Muitos haitianos denunciaram fraudes a favor de Celestin, o que pode gerar mais protestos violentos no país. O fato de Celestin, aliado do presidente Preval, ter herdado pelo menos 7.000 votos da estrela pop Michel Martelly, aumentou as suspeitas de fraude.

Os simpatizantes de Martelly eram os mais revoltados. Antes do anúncio dos resultados, analistas estrangeiros haviam pedido calma e as escolas do país já estavam fechadas em consequência do temor de incidentes.

Os candidatos podem impugnar os resultados, antes da proclamação dos números definitivos em 20 de dezembro. A embaixada americana manifestou preocupação com o anúncio do Conselho Eleitoral Provisório e pediu calma aos haitianos.