Cardeais preparam-se para reunião com Papa

 

Centenas de cardeais do mundo todo, entre eles os dois futuros cardeais latino-americanos, o equatoriano Raúl Vela Chiriboga, arcebispo emérito de Quito, e o brasileiro Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida, que receberá o título cardenalício, encontram-se em Roma para participar na sexta-feira de uma reunião com Bento XVI sobre pedofilia.

É a primeira vez que o pontífice abordará o delicado tema dos escândalos que explodiram em diversos países pelos abusos sexuais de menores cometidos por religiosos e que provocaram uma grave crise na Igreja católica.

Presidido pelo Papa, o chamado "dia de reflexão e oração" para debater "a resposta da Igreja frente aos abusos sexuais" foi organizada na véspera do Consistório para a "criação" de 24 novos cardeais.

Cerca de 150 cardeais de todos os continente se reunirão na Sala Nova do Sínodo do Vaticano a portas fechadas para discutir o assunto, considerado muito delicado, já que pôs à prova o prestígio da instituição milenar.

No sábado, 20, o Papa concederá o título cardenalício a 24 novos religiosos, entre eles Damasceno Assis, que também é presidente da Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam).

Durante a cerimônia, entre as mais solenes, o pontífice entregará o anel e o barrete de cardeal aos novos "príncipes da Igreja".

Na parte da tarde, os novos cardeais receberão a tradicional "visita de cortesia" nas várias salas do palácio apostólico.

Com as novas designações, o número de cardeais com direito a voto em um eventual Conclave pela morte do Papa chega a 121 membros.

Além da pedofilia, os cardeais, que almoçarão com o Papa, falarão da liberdade religiosa no mundo, de liturgia e da constituição "Anglicanorum Coetubus", através da qual foi autorizada há um ano a entrada de centenas de anglicanos à Igreja católica.