Bancos dos EUA fecham contas de representações diplomáticas africanas e países reagem

 

As contas bancárias das representações diplomáticas de 16 países africanos nos Estados Unidos foram fechadas ou congeladas por determinação dos bancos. O Departamento de Estado norte-americano marcou reuniões com os embaixadores nos próximos dias para discutir uma solução para o assunto. Em Angola, o caso está próximo de virar incidente diplomático. A embaixadora Josefina Pitra Diakité foi chamada de volta a Luanda para consultas. No total, 37 países foram afetados.

O Departamento de Estado norte-americano diz que não tem autoridade para obrigar os bancos a aceitar clientes ou abrir contas. No entanto, de acordo com a agência pública de notícias norte-americana Voz da América, a diplomacia do país está empenhada em encontrar uma solução para o caso.

O governo angolano argumenta que, nos termos do Artigo 25º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, o Estado anfitrião (no caso, Estados Unidos) é obrigado a providenciar condições para o estabelecimento das representações diplomáticas.

Os bancos teriam decidido não abrigar mais contas de embaixadas de países que possam ser alvo da severa fiscalização requerida pelas novas leis de combate ao financiamento do terrorismo e à lavagem de dinheiro.

Moçambique é um dos 16 países africanos afetados pela decisão dos bancos. “Acredito que essa dificuldade acabará por se sanar”, afirmou a presidenta da Assembleia da República, deputada Verônica Macamo. “Isso vai passar”. Procurado pela Agência Brasil, o Ministério de Negócios Estrangeiros de Moçambique preferiu não se manifestar até o momento.