França: centristas, furiosos preparam-se para concorrer com Sarkozy

Uma das principais forças políticas da França, os centristas, ficou muito descontente com o governo de Nicolas Sarkozy por terem sido afastados da composição política do país e agora planejam uma candidatura própria para as eleições presidenciais de 2012.

Em uma medida política, Sarkozy expulsou ex-personalidades de esquerda e centristas de seu governo, tomando uma atitude contrária aos que o apoiaram em 2007 e prestaram seu tradicional apoio aos conservadores franceses. Entretanto a mudança do presidente francês é uma medida que prevê as eleições de 2012.

A imprensa francesa afirmou "Sarkozy abre em direção à direita e irrita o centro", anunciando que o resultado da remodelação política.

Sarkozy explicará na terça-feira pela televisão a composição do novo governo, uma semana antes da declaração de política geral feita (no dia 24) ante a Assembleia Nacional (câmara de Deputados) pelo primeiro-ministro, que há meses supera em popularidade o presidente francês, que o segue num nível mais baixo desde 2007, com cerca de 30%.

Relegado, o ex-ministro da Ecologia, Jean-Louis Borloo, posicionou-se na noite de domingo, antes mesmo do anúncio do novo gabinete, dirigido pelo primeiro-ministro François Fillon, claramente marcado pela direita.

"Prefiro reencontrar minha liberdade de propostas e palavra, e agir a serviço de meus valores, que não são circunstanciais, colocando em primeiro lugar a coesão social", afirmou Borloo, indicando uma possível pré-candidatura.

Jean-Louis Borloo é líder de uma pequena chapa, o Partido Radical, herdeiro de uma longa tradição política francesa e associado ao partido presidencial UMP.

O partido tem menos peso que o Novo Centro, com 20 deputados, constituído em torno do ex-ministro da Defesa Hervé Morin que, também se encontra em situação complicada no governo atual.

"Em vez de um gesto de união, vi surgir uma equipe de campanha, uma equipe de campanha eleitoral UMP", afirmou Morin.

Seu partido passou a dispor de apenas um ministério, o da Cidade, considerado de segundo plano.

Mas a família centrista também está muito dividida. O principal líder centrista, François Bayrou, situa-se desde 2007 na oposição, sem, no entanto, se aliar aos socialistas.

Ele foi o terceiro homem da última eleição presidencial, atrás de Nicolas Sarkozy e da socialista Ségolène Royal, com 18,57% dos votos.