Acordo no Iraque ainda é frágil, apesar de inclusão de sunitas

 

Especialistas em políticas internacionais apontaram que apesar dos blocos políticos iraquianos terem conquistado um acordo para apontar os principais postos-chave do país, o governo local enfrentará sérios obstáculos para consolidar sua liderança e resolver os problemas iraquianos.

Segundo os analistas escutados pelo Terra, o primeiro-ministro do Iraque terá a missão de formar um novo governo, que deverá incluir os sunitas do país para evitar o ressurgimento da violência aos níveis de anos anteriores. Além disso, o Iraque precisa aprovar novas leis para modernizar áreas como a da exploração do petróleo, melhorar os serviços públicos e combater o desemprego.

Depois de oito meses de estagnação, as facções políticas chegaram a um acordo na última quinta-feira, depois de três dias de intensas negociações. O acordo estipulou que o presidente curdo Jalal Talabani e o atual primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, manterão seus postos para mais um mandato.

Também como parte das negociações, o posto de presidente do parlamento será ocupado por um muçulmano sunita. O ex-primeiro-ministro Iyad Allawi ganhou o posto de presidente do parlamento. Al-Malaki terá agora 30 dias para formar um novo governo, apontando nomes para os principais ministérios.

Segundo Rami Khoury, analista político da Universidade Americana de Beirute, os sunitas devem ganhar mais espaço na divisão de poder no Iraque e terão uma voz mais decisiva devido à sua importância na segurança interna dentro do país.

"Sua exclusão dos postos importantes do governo poderá fazer com que a violência volte a aumentar no Iraque como nos anos em que atingiram o pico máximo. Os sunitas se sentem excluídos depois de anos no centro do poder com o ex-presidente Saddam Hussein, quando dominavam a maioria xiita", disse Khoury.

No sábado, o parlamento votava para aprovar o acordo quando vários parlamentares do bloco político sunita Iraqiya chegaram a abandonar a sessão, acusando o governo de não cumprir alguns pontos do acordo e ameaçando com um boicote.

O bloco Iraqiya apóia Allawi e ganhou uma leve maioria de cadeiras no parlamento. Mas após uma breve negociação, os sunitas voltaram à sessão e aprovaram o acordo negociado na quinta-feira. "Isso prova que o cenário político iraquiano ainda é frágil. O que foi negociado hoje poderá não valer mais adiante".

Os sunitas exigiram que três de seus membros tivessem seus nomes retirados de uma lista de políticos banidos pelo governo iraquiano por alegadamente terem associações com o antigo partido Baath de Saddam Hussein.

Reformas urgentes

Outra reivindicação concedida a Allawi, que disputava com al-Malaki para se tornar primeiro-ministro, é a presidência de um novo conselho que vai gerir a estratégias de segurança no país. "A concessão a Allawi mostra que os sunitas querem estar no centro das decisões, e sem eles, um governo não poderá manter sua vontade em todo o país", completou Rami Khoury.

Para o economista e analista politico Fares Ishtay, da Universidade Libanesa, um novo governo iraquiano que será formado pelo primeiro-ministro al-Malaki ainda será frágil. "O governo enfrentará muitos descontentamentos, tanto da população quanto dos círculos políticos. Temos aqui um país muito dividido em termos sectários e em termos sociais", disse ele.

Ishtay salienta que o governo terá sucesso caso consiga aprovar leis importantes para o desenvolvimento do país, como da exploração de gás e petróleo, adiadas durante anos devido à falta de entendimentos políticos. "O Iraque tem riquezas naturais que podem trazer lucros para um governo que luta com falta de dinheiro. O país está com sua infra-estrutura destruída após anos de guerra e precisa de investimentos urgentes".

O analista também enfatiza que o governo deverá definir a participação mais ativa dos sunitas, resgatando sua importância no cenário político do Iraque. "Sem os sunitas, a segurança, necessária para atrair os investimentos que o país tanto precisa, ficará à margem e correndo perigo de nova onda de violência. O futuro do Iraque passar por um governo realmente de união nacional, que atenda a todos os grupos", completou Ishtay.