Para autoridades, Mianmar libertou Suu Kyi para diminuir pressão

Alguns defensores dos direitos humanos temem que a libertação da dissidente birmanesa Aung San Suu Kyi, que passou encarcerada 15 dos últimos 21 anos, seja apenas estratégia da junta militar de Mianmar para fazer baixar a pressão internacional. Em meio à esperança de que seja um primeiro passo para as mudanças em Mianmar e a libertação de outros presos políticos, a conformação foi recebida com alívio pela comunidade internacional.

"Sua libertação é "bem-vinda, mas não faz mais do que marcar o fim de uma condenação injusta", "pronunciada ilegalmente", e "não representa em nenhum caso uma concessão por parte das autoridades", observou em Londres a Anistia Internacional.

Para Elaine Pearson, responsável da Human Rights Watch (HRW), "a libertação faz parte de uma estratégia profundamente cínica do governo militar para desviar a atenção da comunidade internacional de eleições ilegítimas". A junta militar no poder há meio século em Mianmar (nome dado pela ditadura à antiga Birmânia), realizou eleições domingo passado, as primeiras em 20 anos. Os militares reivindicaram vitória em 80% das urnas antes mesmo de divulgados os resultados oficiais.

"Sinto-me mais tranquilo", reagiu o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste asiático (ASEAN), o tailandês Surin Pitsuswan, em Yokohama (Japão), onde participa do Fórum Econômico Ásia Pacífico (Apec).

Símbolo da luta pela democracia na Birmânia, ou Mianmar (nome dado ao país pela junta militar que o governa), Suu Kyi foi libertada neste sábado após mais de sete anos consecutivos de prisão domiciliar.

A "Dama de Yangun", Prêmio Nobel da Paz, odiada pelo general Than Shwe, à frente do governo militar, estava presa desde 2003. Ela passou 15 dos últimos 21 anos encarcerada, detida em diferentes ocasiões.