ONU faz apelo urgente de ajuda para combater a cólera no Haiti

A ONU pediu com urgência 163,8 milhões de dólares (120 milhões de euros) para evitar que a epidemia de cólera no Haiti, que já deixou 796 mortos e 12.303 pessoas hospitalizadas, saia do controle.

"Precisamos absolutamente deste dinheiro o mais rápido possível para evitar que sejamos superados por esta epidemia", declarada em meados de outubro, afirmou a porta-voz do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, em uma coletiva de imprensa.

De acordo com o balanço mais recente do ministério da Saúde do Haiti, 497 mortes, ou seja, mais de dois terços do total de óbitos registrados, aconteceram no departamento de Artibonite (norte), principal foco da epidemia.

Mas as organizações internacionais consideram que a situação é potencialmente mais preocupante em Porto Príncipe, a capital superpovoada do país na qual vivem um milhão de pessoas em condições sanitárias precárias desde o terremoto de 12 de janeiro, e onde já morreram 13 pessoas em decorrência da doença.

Dos dez departamentos do Haiti, cinco estão diretamente atingidos pela epidemia, segundo um documento publicado nesta sexta-feira pela ONU.

A organização prevê que cerca de "200 mil pessoas manifestarão sintomas de cólera, com diarreias leves e uma desidratação severa".

"Os casos (de cólera) devem aparecer durante um surto da epidemia que ocorrerá de forma repentina em diferentes partes do país", segundo a ONU.

Dada esta propagação da epidemia no país, a ONU estima que devam ser mobilizados recursos adicionais por pelo menos seis meses.

"Já foi realizado um esforço considerável, mas a quantidade de material de ajuda que deve ser distribuído nos dias e semanas que virão pede mais apoio logístico e financeiro para o governo (do Haiti) por parte das agências humanitárias e dos doadores", explica a ONU.

Sem este novo apoio, "a epidemia pode suplantar nossos esforços", advertiu a organização.

Os fundos arrecadados permitirão oferecer sobretudo tratamentos sanitários, de saneamento e higiene.

Na última semana, o furacão Tomas deixou ao menos 21 mortos no Haiti e provocou grandes inundações. As autoridades temiam um aumento das infecções, já que as chuvas provocaram um aumento do volume de água contaminada, um dos principais vetores da doença.

Além disso, na quinta-feira de manhã, um terremoto de pequena magnitude foi registrado no Haiti, de acordo com moradores, que anunciaram que algumas pessoas se feriram sem gravidade em uma escola próxima a Porto Príncipe devido ao pânico gerado.

O terremoto faz parte dos "tremores secundários de magnitude mais fraca que prosseguem" após o de 12 de janeiro no Haiti, que deixou mais de 250 mil mortos, explicou o sismólogo haitiano Claude Preptit à AFP.