Lula promove educação e saúde em Moçambique

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, iniciou uma visita de dois dias a Moçambique dedicada a programas de educação e saúde, na que será sua última viagem ao continente africano antes de deixar o poder no dia 1 de janeiro de 2011.

Durante a visita oficial de dois dias, o líder brasileiro estimou que seu país tem "uma dívida histórica" com a África, ao inaugurar em Maputo os equipamentos de uma "universidade aberta", que permitirá a professores brasileiros formem alunos em Moçambique por teleconferência.

"A formação do povo brasileiro deve muito ao continente africano, em outras palavras, os brasileiros são o que são: alegres, bonitos, adoram o samba, o carnaval, o futebol, e sabem mover os quadris graças à nossa mistura com os africanos, os índios, etc", acrescentou.

"Durante séculos, nossas cabeças foram colonizadas: nos ensinaram a pensar que éramos inferiores", acrescentou. "Hoje, queremos voltar a levantar a cabeça juntos e desfazermos esta ideia de que o sul depende do norte".

Para Lula, a educação é o melhor "instrumento de democratização" e de construção de uma "sociedade próspera".

O Brasil financiará com 32 milhões de dólares em oito anos este programa de educação a distância, que deve permitir a formação de professores e funcionários.

A primeira turma tem cerca de 600 alunos distribuídos em três cidades: Maputo, Beira (centro) e Lichinga (norte). O programa deve ampliar-se para incluir mais de 7 mil alunos em nove cidades do país.

O presidente brasileiro, vestindo uma camisa simples, com o colarinho aberto, lembrou que realiza sua última visita a Moçambique e "muito provavelmente sua última como presidente" na África. Lula viajou a diversos países do continente ao longo de seus dois mandatos.

Durante seu mandato, o presidente brasileiro não cessou de lembrar que o Brasil - um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão, em 1888 - é o segundo país em população negra do mundo atrás da Nigéria, com 76 milhões de afro-brasileiros sobre 190 milhões de habitantes.

Esta aproximação com a África entra no contexto do reforço da cooperação Sul-Sul que Lula preconiza.

A estratégia resultou frutífera, já que, desde sua chegada ao poder em 2003, os intercâmbios comerciais do Brasil com os países africanos quase triplicaram: passaram de 6,15 bilhões de dólares (dos quais 2,68 bilhões em exportações brasileiras) a 17,14 bilhões de dólares no fim de 2009 (dos quais 8,69 bilhões em exportações brasileiras), segundo o ministério de Comércio Exterior.

Em Moçambique, o Brasil está especialmente presente no setor minerador com a gigante Vale, que deve abrir uma mina de carvão em 2011 em Tete (norte), para a construção e a produção de biocombustíveis.

O gigante sul-americano também prevê um apoio importante ao ministério da Saúde, entre outros na luta contra a Aids. Lula deve inaugurar na quarta-feira em Maputo a primeira fábrica pública de medicamentos antirretrovirais do continente, financiada pelo Brasil, em um dos países mais afetados no mundo pela pandemia de HIV.

O presidente brasileiro goza de uma imensa popularidade em Moçambique, onde o povo está agradecido por esta ajuda. Nesta terça-feira, estudantes o saudaram cantando e dançando: "Papai Lula, Papai Lula, Bye Bye".