Jerusalém Oriental: Israel rejeita acusações de prejudicar processo de paz

O governo israelense rejeitou nesta terça-feira as críticas a seus projetos de construção de novas casas nos assentamentos judeus de Jerusalém Oriental, que, para a comunidade internacional, prejudicam as negociações de paz com os palestinos.

"Este tipo de atividade nunca contribui para a paz", afirmou o presidente americano, Barack Obama, em Jacarta, onde realiza uma visita oficial.

"Preocupa-me o fato de que cada parte não se esforce para que haja um avanço", disse Obama, em referência às negociações lançadas em 2 de setembro em Washington e interrompidas desde o dia 26 de setembro, quando uma moratória israelense sobre a colonização na Cisjordânia expirou.

O principal negociador palestino, Saeb Erakat, chamou a comunidade internacional a tirar as conclusões da atitude israelense "reconhecendo o Estado palestino em suas fronteiras de 1967" com Jerusalém Oriental como capital.

"Este plano de construção contradiz os esforços feitos pela comunidade internacional para retomar as negociações diretas, e esta decisão deveria ser anulada", declarou, por sua vez, a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.

"As colônias são ilegais em virtude do direito internacional, constituem um obstáculo à paz e ameaçam tornar impossível a solução de dois Estados", acrescentou Ashton em um comunicado.

A comissão de planejamento do ministério israelense do Interior aprovou na última semana um projeto de levantamento de 1.300 casas em três bairros de colonização em Jerusalém Oriental.

A Rússia também considerou "necessário que a parte israelense se abstenha das obras anunciadas" para permitir que "continuem as negociações entre israelenses e palestinos", segundo um comunicado do ministério russo das Relações Exteriores.

Na segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, havia declarado que estava "preocupado" com esta decisão, no fim de uma conversa com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Mas Israel rejeitou essas críticas, afirmando que não via "nenhuma relação entre o processo de paz e as políticas de planejamento e construção em Jerusalém, que não mudaram nos últimos 40 anos".

"Jerusalém não é um assentamento, Jerusalém é a capital do Estado de Israel", disse em um comunicado o gabinete de Netanyahu, lembrando que a moratória sobre a colonização na Cisjordânia não incluía Jerusalém Oriental.