Parentes enterram mortos por erupção de vulcão na Indonésia

     JACARTA - A população indonésia prestou nesta quinta-feira (28) uma última homenagem às 32 vítimas fatais da erupção do vulcão Merapi, na ilha de Java. Vinte dos 32 mortos foram enterrados juntos. Alguns corpos não foram identificados, já que ficaram completamente desfigurados pelas cinzas incandescentes expelidas pelo vulcão desde terça-feira (26).

Uma cerimônia privada foi organizada para aquele que, segundo os indonésios, personificava o Merapi, o "avô" Marijan, que era o "guardião espiritual" da montanha considerada sagrada para os javaneses. Ele faleceu aos 83 anos, depois que se recusou a abandonar a casa em que morava, apesar dos riscos da erupção.

O balanço da tragédia poderia ter sido muito maior sem a ordem de retirada emitida na segunda-feira pelas autoridades para as 19 mil pessoas que moram nas proximidades do vulcão. Nesta quinta-feira, o Merapi, considerado o vulcão mais ativo da Indonésia, continuava expelindo nuvens de fumaça cinza, mas com uma atividade consideravelmente reduzida.

"O vulcão está relativamente tranquilo. Vamos avaliar sua atividade nos próximos dias antes de decidir se autorizamos o retorno dos moradores", declarou Subandrio, um dos responsáveis pela vigilância da região.

 

Tragédia

Um terremto, um tsunami e a erupção do vulcão mais ativo da Indonésia deixaram mais de 400 mortos e centenas de desaparecidos.

Por causa da tragédia, o presidente Susilo Bambang Yudhoyono teve que retornar do Vietnã, onde estava em visita oficial para participar da reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), para supervisionar pessoalmente as operações de resgate, depois do terremoto de 7,7 graus de magnitude que provocou um tsunami na segunda-feira (25).

O tremor formou ondas de cerca de três metros de altura que devastaram completamente aldeias costeiras do arquipélago Mentawai, na costa ocidental da ilha de Sumatra. O tsunami foi um duro golpe no turismo das ilhas Mentawai, cujas ondas e vegetação exuberante atraem surfistas do mundo todo. Não há, porém, turistas estrangeiros entre as vítimas.

Especialistas haviam advertido para o alto risco de terremoto no arquipélago, situado em uma zona de subducção entre as placas tectônicas indoaustraliana e euroasiática. A movimentação desta falha já havia causado o catastrófico tsunami de 26 de dezembro de 2004, que matou mais de 220.000 pessoas.

Dois mil quilômetros ao leste do local varrido pelo tsunami, no centro da ilha de Java, as autoridades mantinham o estado de alerta nas imediações do vulcão Merapi, "a montanha de fogo", que entrou em erupção 10 vezes na terça-feira (26). As nuvens de cinza e gases, que chegaram a 1,5 km de altura.