Papa diz que padres devem se manifestar contra aborto

Bento XVI recebeu bispos brasileiros nesta quinta-feira

     CIDADE DO VATICANO - Os padres têm o dever de emitir um julgamento moral, inclusive na política, quando assim exigem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação da alma, declarou nesta quinta-feira o papa Bento XVI aos bispos brasileiros, três dias antes do segundo turno da eleição presidencial no país. "Toda defesa dos direitos humanos nos planos político, econômico e social seria completamente falsa e ilusória se não levasse em consideração a defesa enérgica do direito à vida desde a concepção até a morte natural", disse Bento XVI.

O Sumo Pontífice recebeu no Vaticano bispos da região Nordeste do Brasil, o maior país católico do mundo, para a tradicional visita Ad Limina (que fazem regularmente para prestar contas de suas dioceses).

"Quando os projetos políticos contemplam abertamente ou de forma oculta a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático, que não é mais que realmente reconhecer e proteger a dignidade de qualquer pessoa humana, se trai em suas próprias raízes", completou.

"Na defesa da vida, não devemos temer a oposição e a impopularidade, rejeitando qualquer compromisso e ambiguidade que se ajustariam à mentalidade do mundo".

Durante a campanha eleitoral para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a religião ganhou destaque no debate político por meio de católicos e evangélicos, contrários ao aborto e ao casamento gay.

Os bispos recomendaram o voto em candidatos comprometidos com o respeito incondicional da vida. O mais veemente, o bispo de Guarulhos, D. Luiz Gonzaga Bergonzini, divulgou um manifesto contra Dilma Rousseff, candidata de Lula, que foi chamada pelo religioso de "candidata da morte".