Imprensa britânica dá pouco destaque à morte de Néstor Kirchner

    LONDRES - Ao contrário dos principais jornais brasileiros, que estamparam em suas capas a morte do ex-presidente argentino Néstor Kirchner, na imprensa britânica o assunto ganhou menos destaque. Mesmo assim, os maiores diários do Reino Unido destacaram em suas páginas internas a perda sofrida pelos nossos vizinhos. Dos grandes jornais europeus, apenas o espanhol El País deu espaço ao assunto em sua capa.

No Reino Unido, onde as manchetes se dividem entre o corte no orçamento proposto pelo premier David Cameron e as discussões sobre o abrandamento das regras de segurança aérea no país, o assunto foi tratado com sobriedade. No The Times, a morte de Kirchner foi destaque de uma página na área de obituários. O jornal escreveu que Kirchner foi um presidente "escrupuloso e honesto que ajudou a Argentina a sair da crise".

Já o The Guardian colocou o assunto na editoria de Internacional com a manchete: "Argentina em choque com a morte de líder de esquerda". O texto também define o ex-presidente latino-americano como o responsável por tirar o país da crise e destaca frases patrióticas. "Ele dedicou vida ao seu país. Nós precisávamos muito deste homem", disse a líder das Mães da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em trecho destacado pelo Guardian.

A morte de Kirchner também foi destaque na área de Internacional do The Independent. Com uma foto do ex-presidente com a mulher e atual líder do país, Cristina Kirchner, o jornal escreveu que a "Argentina vela o presidente que tirou a nação do abismo". No texto, o jornal sublinhou o favoritismo de Kirchner para as eleições do próximo ano e as especulações em torno de quem o sucederá na próxima campanha eleitoral.

 

Luta pelo poder

A luta pelo poder entre os hermanos, que até agora estava polarizada no casal Kirchner, foi a manchete do jornal espanhol El País nesta quinta-feira. "A morte de Kirchner abre a luta pelo poder na Argentina". O texto destaca que a morte súbita do líder peronista deixa sua mulher, Cristina, em uma situação de debilidade política. "Agora ela vai ter de decidir se segue o perfil agressivo que vinha desenvolvendo com seu marido", escreveu o jornal.

Na França, a edição impressa do Le Monde deixou de fora da sua capa a morte de Kirchner, preferindo destacar que a França terá 200 mil pessoas centenárias em 2060.

Nos Estados Unidos, o The New York Times deu uma pequena nota em sua capa. Com uma foto de um cidadão argentino lamentando a morte do ex-presidente, o principal diário americano diz que o impacto político da perda é "melancólico".