Cristina e filhos velam Néstor Kirchner na Casa Rosada

 

A presidente argentina, Cristina Kirchner, chegou por volta das 11h (12h de Brasília) à Casa Rosada para o velório de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. Cristina chegou em um helicóptero na companhia dos filhos Máximo e Florencia.

Cristina estava vestida de preto, com óculos escuros e uma bolsa preta. Minutos depois de chegar, a presidente se encaminhou ao Salão dos Patriotas Latino-Americanos, que abriga o velório de Estado em homenagem ao ex-líder argentino.

Cristina permaneceu de pé e pôs suas mãos sobre o caixão fechado de Kirchner, com quem foi casada durante 35 anos. A presidente argentina receberá pessoalmente as condolências de vários líderes sul-americanos.

O primeiro chefe de Estado a chegar foi o líder boliviano Evo Morales, seguido do equatoriano, Rafael Correa, e do uruguaio, José Mujica.

São esperados para as próximas horas os presidentes do Chile, Sebastián Piñera, Juan Manuel Santos (Colômbia), Fernando Lugo (Paraguai) e Hugo Chávez (Venezuela), além do brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

 

Emoção na Argentina

 

Carregando velas, bandeiras e flores, milhares de argentinos fazem vigília nesta quinta-feira pelo ex-presidente e líder peronista Néstor Kirchner, falecido aos 60 anos na quarta-feira, ao mesmo tempo em que demonstravam apoio ao governo de sua viúva, a presidente Cristina Kirchner, cujo mandato termina em 2011.

Centenas de jovens militantes permaneceram toda a noite na Plaza de Mayo, em frente à sede do governo, e já de madrugada começaram a formar uma fila para garantir sua entrada no velório do "Pingüino", como era conhecido o ex-presidente, na Casa Rosada.

O público poderá despedir-se de Néstor Kirchner, que governou o país entre 2003 e 2007, no Salão dos Patriotas Latino-Americanos. Nas paredes em torno do caixão, imagens do ex-presidente Juan Perón, da Argentina, e Salvador Allende, do Chile, além do guerrilheiro Ernesto ''Che'' Guevara, entre outros.

Guardada por um forte esquema de segurança, a Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada, amanheceu coberta por flores e mensagens. "Força, Cristina" são os dizeres de centenas de cartazes de apoio à presidente. "Força, presidente. Precisamos de você mais do que nunca. Estamos com você", afirmavam cartas deixadas na noite de quarta-feira por milhares de argentinos, que em meio a muita comoção foram prestar suas condolências na capital federal.

Cristina Kirchner deixou El Calafate, 2.700 quilômetros ao sul de Buenos Aires, onde o marido passou os últimos dias. Em 2010, Néstor Kirchner já havia passado por duas intervenções cirúrgicas devido ao agravamento de seus problemas cardíacos. Na noite de quarta-feira, durante uma reunião em casa com a mulher e amigos, não resistiu a uma parada cardiorrespiratória e morreu sem que os médicos tivessem tempo para ressuscitá-lo.

O corpo do ex-presidente chegou a Buenos Aires de madrugada. Depois do velório, será novamente transportado para o sul da Argentina, para a província de Santa Cruz, na Patagônia, onde Kirchner nasceu.

A central sindical CGT, principal braço de apoio do governo, convocou uma mobilização nesta quinta-feira na Plaza de Mayo para uma despedida final. "Depois de (Juan) Perón e Eva (Duarte de Perón), vem Néstor Kirchner, sem sombra de dúvida", disse Hugo Moyano, poderoso líder da CGT, declarando apoio a Cristina Kirchner.

Néstor e Cristina se conheceram nos anos 70, quando cursavam a faculdade de Direito e militavam na ala esquerdista do peronismo na Universidade de La Plata. Tiveram dois filhos: Máximo, de 32 anos, e Florencia, 19.