Alemanha quer mudança no Tratado da União Europeia para evitar novas crises econômicas

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, declarou antes da abertura de uma reunião de cúpula europeia, em Bruxelas, que o bloco deve modificar o Tratado de Lisboa, para proteger-se de novas crises da dívida pública e defendeu a retirada do direito de voto dos Estados que não cumpram com seu dever, na UE.

Na ocasião a chanceler afirmou que a Alemanha acredita que será necessário a modificação do tratado europeu para criar um fundo permanente de apoio aos países da zona do euro em dificuldades econômicas.

Merkel também se mostrou disposta a convencer seus parceiros europeus, pouco entusiastas, das mudanças.

Representantes das 27 nações que integram a União Europeia estão de acordo em perenizar um fundo de resgate aprovado em maio por um período de três anos, depois da crise da dívida grega; mas demonstram reservas em aceitar que a criação desse mecanismo requeira um novo processo de ratificações do Tratado de Lisboa (carta fundamental da UE, que entrou em vigor há menos de um ano).

Merkel insistiu em que os países esbanjadores, que não vigiem suas contas públicas, devam ser privados do direito de voto durante a tomada de decisões, uma possibilidade considerada hostil por alguns.

Só a França, o outro peso pesado da UE, apoia ambas as reclamações alemãs.

A UE realiza nesta quinta e na sexta-feira uma reunião destinada a reforçar a disciplina fiscal e a se proteger de novas crises da dívida pública.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, declarou nesta quinta-feira que se uma mudança "limitada" do tratado "for destinada a dar resposta às crises econômicas, então teremos que abordar o assunto".

"Se a Alemanha nos diz que para conseguir (criar esse fundo) precisamos mudar o tratado, estamos abertos à discussão", coincidiu o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

"Não temos problemas em mudar o Tratado", reafirmou o chefe de governo grego, Giorgos Papandreou.

Suécia e Grécia se somaram, assim, a Dinamarca, Finlândia e Luxemburgo que, nas últimas horas, se mostraram dispostos a dar o braço a torcer e aceitar modificações.

Mas o eixo franco-alemão choca-se, em troca, com a hostilidade de seus parceiros numa segunda frente.

Ambos os países não receberam, até agora, nenhum apoio à exigência de estabelecer sanções políticas aos países que excedam os limites da dívida pública, retirando deles o direito de voto nas reuniões europeias.