Ajuda dos EUA para Afeganistão se perde em 'labirinto' após auditoria

Os bilhões de dólares enviados pelos Estados Unidos a cerca de 7 mil entidades destinadas a reconstruir o Afeganistão se perdem em um "labirinto" que não permite saber se o dinheiro é bem ou mal utilizado, julgou um organismo governamental americano após uma auditoria.

Segundo o informe obtido nesta quinta-feira pela AFP e assinado pela Inspeção Geral para a reconstrução do Afeganistão (SIGAR), Washington desembolsou "cerca de 18 bilhões de dólares" entre 2007 e 2009 para distribuir entre 7 mil "organizações sem fins lucrativos e sociedades privadas", instaladas no Afeganistão para a reconstrução do país.

Entretanto, o texto dirigido especialmente à secretária de Estado Hillary Clinton, ao seu colega Robert Gates e ao embaixador americano no Afeganistão Karl Eikenberry afirma que "se torna complicado rastrear (o destino do dinheiro) no confuso labirinto das sociedades contratadas pelo governo" americano.

Tanto o Pentágono quando o Departamento de Estado e a USAID, agência americana para o desenvolvimento internacional, "são incapazes de dizer claramente quanto dinheiro gastaram em contratados destinados a atividades de reconstrução no Afeganistão", de acordo com o informe, primeira auditoria sobre o tema.

A SIGAR lamenta especialmente que não tenha sido criada "uma base de doações centralizada para seguir a evolução de vários projetos de reconstrução iniciados pelas agências e ministérios americanos",

Um dos pontos em destaque do informe é sobre o Pentágono, onde "coexistem quatro agências responsáveis pela administração dos contratos para reconstruir o país (Afeganistão) financiados pelo Departamento de Defesa, mas que não se coordenam entre si".

Desde a invasão do país em 2001, os "Estados Unidos gastaram 55 bilhões de dólares na reconstrução do Afeganistão", sustenta o relatório.