Kirchner havia passado por duas cirurgias em 2010

O ex-presidente Néstor Kirchner havia passado por duas cirurgias somente neste ano, segundo o jornal argentino Clarín.

No dia 7 de fevereiro, ele sofreu uma cirurgia de urgência na carótida após uma falta de sensibilidade no braço e perna esquerdos. Na operação, uma placa ulcerada foi removida da artéria.

Em 11 de setembro, com uma forte dor no peito, ele foi levado a uma clínica em Palermo, em Buenos Aires, onde foi submetido a uma angioplastia por uma artéria coronária obstruída.

Apesar das advertências e da recomendação médica de repouso, Kirchner não abandonou a frenética agenda política e três dias depois já estava em ação. Anos antes, em 2004, o político também sofreu uma hemorragia por uma gastroenterite erosiva aguda.

Trajetória

Nascido em 25 de fevereiro de 1950 em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, Patagônia, Néstor Carlos Kirchner teve uma vida dedicada à política. Participou desde cedo de movimentos, fazendo oposição ao governo militar como parte da Juventude Peronista. Chegou à Presidência da Argentina em 2003, fazendo sua mulher como sucessora em 2007. Atual primeiro-cavalheiro de seu país, Kirchner morreu nesta quarta-feira, vítima de problemas cardíacos.

Considerado um homem público com um caráter implacável frente a seus adversários, Kirhcner foi um dos políticos mais influentes do país e um potencial candidato para as eleições de outubro do ano que vem.

No início da década de 70, Kirchner estudou Direito na Universidade Nacional de La Plata. Em 1975, casou-se com Cristina Fernández, também militante do movimento justicialista. Em setembro de 1987, como candidato peronista, Kirchner foi eleito intendente de Rio Gallegos. O sucesso de sua administração o levou a ser candidato a governador da província, cargo para o qual foi eleito com 61% dos votos em setembro de 1991, sendo reeleito em 1999.

Em 2003, Kirchner saiu em segundo lugar no primeiro turno das eleições, atrás do também peronista Carlos Saúl Menem. Apoiado pelo então chefe do Executivo da Argentina, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner virou o jogo e venceu o ex-presidente Menem, criticado por ter encabeçado um governo marcado por uma forte crise econômica.

Consolidada a recuperação da economia, Kirchner deixou o cargo em 2007 com alta popularidade, fazendo sua mulher como sucessora. Ultimamente, o ex-presidente era deputado federal e secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), além de presidente do poderoso Partido Justicialista (peronista).