Vaticano pede que condenação à morte de Tarek Aziz não seja realizada

O Vaticano pediu que a condenação à morte pronunciada em Bagdá contra o ex-ministro de Saddam Hussein, um cristão, não seja executada, segundo comunicado da Santa Sé.

A Alta Corte Penal iraquiana decidiu mais cedo condenar o ex-ministro e porta-voz de Saddam Hussein por "assassinatos deliberados e crimes contra a humanidade".

O veredicto provocou uma reação rápida da União Europeia e da Anistia Internacional, que afirmaram sua oposição a execuções de Estado em geral.

Em março de 2009, Aziz foi condenado a 15 anos de prisão pela execução de 42 comerciantes em 1992. E em agosto foi condenado a outros sete anos por seu papel na repressão contra os curdos xiitas nos anos 1980.

Ele declarou-se inocente de todas as acusações.

Um dos poucos do grupo de Saddam a ter sobrevivido, Aziz rendeu-se às tropas americanas no final do mês de abril de 2003, dias após a queda de Bagdá.

Conheça Tarek Aziz 

Tarek Aziz, único cristão entre os colaboradores próximos de Saddam Hussein, condenado à morte nesta terça-feira pela Alta Corte Penal iraquiana, após passar os últimos sete anos na prisão, foi durante duas décadas a voz de um regime primeiro apoiado pelo Ocidente e depois considerado inimigo.

 

Tarek Aziz, fã dos bons charutos e whiskys, nasceu no dia 28 de abril de 1936 em uma família pobre da região de Mossul (norte), e rapidamente ascendeu no governo iraquiano, graças ao seu domínio perfeito do inglês e a sua competência como incansável advogado de um regime cada vez mais contestado.

Amigo do ditador iraquiano, foi ministro da Informação, e depois vice-primeiro-ministro de 1979 a 2003, tendo como função complementar a de ministro das Relações Exteriores, de 1983 a 1991.

Ele se rendeu às tropas americanas no final do mês de abril de 2003, e estava detido desde então na prisão americana de Camp Cropper, perto de Bagdá.

Em março de 2009 foi condenado a 15 anos de prisão por "crimes contra a humanidade" no caso da execução de 42 comerciantes em 1992. E em agosto foi condenado a outros sete anos por seu papel na repressão contra os curdos xiitas nos anos 1980.

Muito debilitado devido à prisão, segundo sua família, foi vítima na metade de janeiro de um ataque cardíaco e transferido em "estado grave" para um hospital em uma base americana, segundo seu advogado, Badia Aref.

Em 1980, foi encarregado por Saddam Hussein de mobilizar o apoio do Ocidente para o regime laico que atacou o Irã, considerado após a revolução islâmica uma teocracia ameaçadora.

Aziz foi o artífice da retomada das relações diplomáticas entre Washington e Bagdá em 1984. Encontrava-se igualmente confortável tanto em Moscou como em Paris, que apoiavam o regime iraquiano.

Seu trabalho complicou-se após a invasão do Kuwait em agosto de 1990.

Sabe-se que Aziz tinha dúvidas sobre a realização desta invasão, mas no Iraque da época ninguém podia contestar a vontade de Saddam Hussein.

E não seria ele, o representante de uma minoria tolerada, os caldeus, cuja lealdade a Saddam era lendária, que seria contrário à invasão. Corriam rumores de que ele se levantava toda vez que o presidente iraquiano telefonava.

No fim dos anos 1950, Aziz entrou no partido Baath, uma organização clandestina que combatia a monarquia e o poderoso Partido Comunista iraquiano.

Ele era jornalista e organizou a propaganda do Partido Baath, legalizado em 1963 com o golpe militar dos baassistas e nacionalistas, aliados contra os comunistas.

Quando os baassistas chegaram finalmente ao poder após o golpe de Estado de 1968, Tarek Aziz escalou a hierarquia do governo para ocupar em 1977 o órgão supremo, o Conselho de Comando da Revolução.

Em 1979, atrelou definitivamente seu destino ao de Saddam Hussein, quando este, então vice-presidente, derrubou o presidente Ahmed Hassan al-Bakr, e tomou o controle do país.

Sem ser um ator central, foi cúmplice de todas as crueldades e brutalidades de um regime de terror, que iam da eliminação de opositores políticos aos massacres de curdos e xiitas.

Aziz denunciou "a grande mentira" das acusações ocidentais a respeito do arsenal iraquiano de armas de destruição em massa e resumiu com a fórmula "petróleo e Israel" as razões pelas quais a guerra de 2003 foi inevitável.