EUA: número de mulheres no Congresso é quase igual ao da Coreia do Norte

 

O ano de 2010 deve ser o das "Mama Grizzlies", as candidatas ultraconservadoras que se lançam em ofensiva ao Congresso. Ainda assim, a oito dias das eleições legislativas americanas, tudo leva a crer que o número de mulheres eleitas pode diminuir pela primeira vez desde 1978.

Se o número de mulheres eleitas no Congresso diminuir como predizem alguns analistas políticos, os Estados Unidos poderão perder o 73º posto mundial em termos de representatividade feminina que compartilham com a ex-república soviética do Turcomenistão e cair várias posições, segundo as classificações reunidas pela União Interparlamentar (UIP).

Atualmente, dos 533 parlamentares do Congresso, 90 são mulheres, ou seja, 16,5%.

Todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes e 37 dos 100 lugares do Senado serão renovados nessas eleições de metade de mandato do dia 2 de novembro.

Mas, com no mínimo cinco eleitas, os Estados Unidos ficarão atrás da Albânia e próximos à Coreia do Norte e Burkina Faso na classificação da UIP.

O número de candidatas às primárias atingiu níveis recordes neste ano. Inspiradas por Sarah Palin, candidata à vice-presidência americana em 2008 ao lado de John McCain, 128 mulheres se apresentaram ao chamado republicano.

Essas, ultraconservadoras, fotogênicas e numerosas foram apelidadas de "Mama Grizzlies" por Sarah Palin.

A ex-candidata desejava assim colocar em evidência as qualidades intrínsecas dessas mulheres incumbidas de proteger a América como uma mãe urso (grizzlie) cuida de seus filhotes.

Problema: dois terços das candidatas republicanas foram derrotadas logo no início das prévias.

Do lado democrata, o número de candidatas nas primárias diminuiu ligeiramente em relação a 2006 e 2008.

E aquelas que conseguiram passar com sucesso da primeira etapa são frequentemente as candidatas em fim de mandato não favorecidas por uma conjuntura política globalmente do lado dos republicanos.

"Há muitas mulheres democratas saindo este ano e, neste momento, estar saindo e ser democrata é um azar", declarou à AFP Debbie Walsh, diretora do Center for American Woman and Politics (CAWP), da Universidade Rutgers.

A conjuntura econômica difícil será também um ponto contra para as candidatas "porque os eleitores têm a tendência a pensar que as mulheres não possuem tanta competência quanto os homens em economia", explicou a pesquisadora Celinda Lake, conselheira do partido democrata, ao USA Today.

O Women's Campaign Forum (WCF) que apóia as mulheres nas campanhas eleitorais julga a situação tão preocupante que decidiu recentemente fechar todos os escritórios para enviar equipes para apoiar diretamente as candidaturas de mulheres, qualquer que seja seu partido.