Às vésperas de reunião, Irã anuncia funcionamento de usina nuclear

    TEERÃ - A menos de um mês das reuniões com o grupo P5+1 – formado pelos Estados Unidos, França, Rússia, China, Grã-Bretanha e Alemanha -, o governo do Irã anuncia os últimos preparativos para colocar em funcionamento a Usina Bushehr. A ideia é que a usina esteja em pleno funcionamento até janeiro, segundo o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã (Oeai), Ali Akbar Salehi.

As reuniões do P5+1 estão marcadas para os dias 15 a 17 de novembro, em Viena, na Áustria. Salehi afirmou que começou o processo de injeção de combustível no núcleo do reator da usina. Segundo ele, a Usina de Bushehr está entre as mais "originais" do mundo, mas não detalhou os argumentos que embasam a afirmação.

A decisão do governo iraniano de anunciar para breve o funcionamento da usina ocorre no momento de preparativos para a reunião do P5+1 e depois de quatro meses das sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e de medidas unilaterais de vários países. Para Salehi, isso demonstra o “sucesso” do planejamento nuclear do Irã.

Para a comunidade internacional, o programa nuclear em desenvolvimento no Irã levanta suspeitas sobre a produção secreta de armas atômicas. As autoridades iranianas negam as acusações e afirmam que o programa tem fins pacíficos.

De acordo com o representante da Organização de Energia Atômica do Irã, as 163 barras de combustíveis da Usina de Bushehr terão condições de funcionar e dar apoio para que o reator gere energia no início de 2011.

Segundo o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ramin Mehmanparast, a usina ajudará o país a substituir combustíveis fósseis por alternativas menos prejudiciais ao ambiente. "Vamos perseguir nossas atividades nucleares pacíficas em outras áreas também", disse.

Mehmanparast afirmou ainda que não há uma definição sobre a participação do Irã na reunião com o P5+1 porque é necessário adequar a agenda e também a pauta. Uma das exigência do Irã é que o acordo sobre a troca de urânio, firmado em maio com o apoio do Brasil e da Turquia, sirva de orientação para as próximas negociações.