Sarkozy se mantém irredutível frente a mobilização social sem tréguas

Os sindicatos franceses convocaram dois novos dias de protestos nacionais contra a reforma das aposentadorias, enquanto o governo do presidente Nicolas Sarkozy acelerava a aprovação de seu projeto de lei no Senado e a polícia continuava bloqueando os depósitos de combustível.

Por meio do ministro do Trabalho, Eric Woerth, o governo pediu ao Senado que acelere os debates para que o texto da reforma seja submetido à votação rapidamente, com vistas a uma aprovação parlamentar definitiva na semana que vem, enquanto persiste a pressão social e as greves no setor petroleiro que afetam um quarto dos postos de gasolina do país.

"Tivemos mais de 120 horas de discussão (...) O debate não deve demorar por demorar", disse Woerth, ao fazer o pedido ao Senado, desatando a ira da oposição: centristas, socialistas e verdes criticam a decisão do governo, ao coincidir em que "uma vez mais quer avançar à força".

As férias escolares, que começam no sábado, não amedrontaram os sindicatos - que têm o apoio de 71% dos franceses - a convocar mais mobilizações contra uma reforma que aumentará de 60 para 62 anos a idade mínima para aposentadoria e de 65 a 67 anos a idade para receber a pensão completa.

O governo voltará a se reunir na sexta-feira para avaliar o problema de distribuição de combustível: 2.790 postos de gasolina estavam sem combustível na quinta-feira (eram 3.200 na quarta-feira) de um total de 12.500, como resultado do bloqueio dos depósitos por manifestantes e da greve nas 12 refinarias do país, segundo dados oficiais.

"Mais de 14 depósitos" dos 219 que a França tem, continuavam bloqueados, embora o ministro do Interior, Brice Hortefeux, tenha assegurado que o governo garantirá "o desbloqueio dos depósitos", um sinal da firmeza que o presidente francês também voltou a demonstrar.

"Levarei a reforma da aposentadoria a termo, pois o meu dever como chefe de Estado é garantir aos franceses e seus filhos que poderão ter uma aposentadoria", disse na quarta-feira o chefe de Estado francês, que recebeu a visita do presidente chileno, Sebastián Piñera.

Milhares de estudantes secundaristas e universitários protestaram esta quinta-feira em Paris, Poitiers (centro-oeste), Lille (norte), Nantes (oeste), Tours (centro) e Montpellier (sul). Em Lyon (centro-leste), incidentes voltaram a se registrar, protagonizados por jovens alheios ao movimento estudantil, que resultaram em dezenas de detenções.

O tráfego ferroviário melhorará um pouco na sexta-feira, embora a falta de combustíveis afete restaurantes, lojas e o setor da construção.

Enquanto isso, os protestos receberam a inesperada adesão do ator americano Bruce Willis, que "aprecia o lado emocional dos franceses na política".

Já os fãs de Lady Gaga, por sua vez, não devem estar nada contentes porque os dois shows da musa pop, previstos em Paris, foram adiados por razões "logísticas".