ONU afirma que atividade política das mulheres ainda sofre limitações

Relatório divulgado pela Nações Unidas (ONU) aponta que as mulheres em todo mundo estão conseguindo lentamente romper a barreira que as mantêm afastadas do poder político, mas, no cômputo geral, elas ainda convivem com a violência.

Apenas sete dos 150 chefes de Estado eleitos são mulheres, o que representa uma leve maioria em relação à década passada, mas o relatório Mulheres do Mundo 2010 ("The World's Women") assinalou que a violência física, sexual e psicológica continua sendo um "fenômeno universal".

Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-monn, foram feitos progressos nos últimos anos em termos de saúde e educação das mulheres, mas "é preciso fazer muito mais, em particular para fechar o abismo do gênero na vida pública e prevenir as muitas formas de violência às quais as mulheres estão submetidas".

A desigualdade entre homens e mulheres é altamente visível no campo político, assinala o informe, elaborado a cada cinco anos.

De acordo com o relatório, casos como os das presidentes Cristina Kirchner na Argentina, Laura Chinchilla na Costa Rica, a chanceler Angela Merkel na Alemanha ou a primeira-ministra Sheikh Hasina, em Bangladesh, representam uma surpreendente minoria entre os chefes de Estado.

Em média, apenas um em cada seis ministérios no mundo é dirigido por uma mulher, apesar desta cifra ter duplicado desde 1998.

Além disso, o relatório assinala uma "lenta, mas firme melhoria" no que diz respeito à representação nacional, apesar de apenas em 23 países mais de 30% das cadeiras no parlamento estejam ocupados por mulheres.

A China é, inclusive, líder neste campo na Ásia Oriental, porque 21% de seus deputados são mulheres. Em compensação, em Belize, na Micronésia, em Omã, Qatar, Arábia Saudita e ilhas Salomão não há nenhuma mulher no parlamento.

Panorama semelhante no mundo empresarial

"Apesar de alguns progressos em relação à igualdade no setor privado, o abismo na esfera corporativa continua sendo enorme", diz o informe, destacando as enormes diferenças de salários entre homens e mulheres, assim como a ausência de chefes femininas em altos cargos.

Ainda em 2009, apenas 13 das 500 maiores empresas tinham uma mulher como diretora executiva. "A barreira parece ser mais impenetrável nas grandes corporações", assinala o informe.

As jovens mulheres enfrentam, além disso, riscos de "abuso físico, sexual e psicológico" por parte de seus pares, colegas ou desconhecidos ao longo de sua vida. E este fenômeno acontece "sem distinção de renda, classe social ou cultura".

Em pesquisas nacionais, a quantidade de mulheres de afirmam terem sido vítimas de violência física ao longo de sua vida varia de 12% em Hong Kong e China, a quase 40% na Alemanha, cerca de 50% na Austrália e 60% na Zâmbia.

No Peru rural e na Turquia, 60% das mulheres afirmam ter sido vítimas de violência por parte de seus maridos ou companheiros.

O relatório destaca também a discriminação em maior escala: as mulheres de países desenvolvidos gastam uma média de cinco horas por dia em atividades domésticas, o dobro que os homens.